segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Mumin" volume 1, de Tove Jansson


                                              


    Este livro é o primeiro volume dos quadrinhos do Mumin feita por Tove Jansson. Pelo que tinha visto no documentário, na década de 1940, Tove escreveu primeiro romances sobre Mumin e suas aventuras, e só depois quando atingiu sucesso a autora desenhou histórias em quadrinhos sobre Mumin, no período de 1977 a 19781. Infelizmente, no Brasil só foi traduzida o volume 1 dos quadrinhos e demais obras de Tove não são tão fáceis de encontrar em português. Este quadrinho possui 4 histórias. 
      A primeira história se chama "Mumin e os invasores" que nos apresenta Mumin que parece com um hipopótamo branco que se mete em situações por conta de sua bondade e ingenuidade. Neste primeiro capítulo, Mumin pede auxilio de Faro-Fino para que ele possa ter paz na casa dele, pois a sua casa estava lotada de hóspedes e parentes que o impediam de viver e dormir bem.


         Ao longo desta história, Mumin chega ao desespero por não se solucionar o problema e até mesmo agravá-la. Então ocorrem situações que para qualquer um seria vista como algo muito ruim,   
mas Mumin não tem está visão. Não sei se é tanta ingenuidade ou talvez um otimismo que ele leva a sua vida. 


        Ainda nesta história, Mumin fala para Faro-Fino que "Eu só quero viver em paz, plantar batatas e sonhar!" (p. 18). O que soou um tanto o que li em "A Desobediência Civil" de Thoreau quando disse que não acreditava muito no governo, pois cobrava impostos de terras que não eram deles e para Thoreau a melhor forma de governança seria que cada um tivesse sua terra e fizesse dela o que quisesse. 
         A segunda história deste livro é "Mumin e a Vida em Família" que tem como principal a busca de Mumin pela sua família. A história pela tirinha que deixei logo abaixo pode dar impressão que vai ser um história triste, mas, na verdade, esta segunda história é bem engraçada, pois brinca com valores da relação entre a família e seus membros. 


          Nesta terceira história "Mumin na Riviera", Senhorita Snork e o pai de Mumin se animam na primavera para viajarem para Riviera, enquanto Mumin prefere ficar na região do campo e observar a natureza. Neste momento Mumin me lembrou um pouco Werther, de "Os sofrimentos do jovem Werther", de Goethe, quando logo chegou ao campo, ele saia para caminhar e escrever. 
         

     Apesar de Mumin querer ficar e sua mãe também, todos acabaram indo para Riviera. O interessante desta história é que brinca com a questão da inocência da família de Mumin e com os valores valorizados por aqueles que super valorizam o dinheiro. Um exemplo disto é esta tirinha que mostra quando a mãe de Mumin perguntou se encontraria uma certa cor de fio de lã para comprar, pois o novelo dela tinha acabado. Então vemos a questão da relação de poder e da microfísica do poder que está presente na sociedade e que para a família de Mumin foi vista como algo estranho. O que me deixou muito mais feliz e interessada em como é este relacionamento que não possui uma relação de poder enraizada.


    A última história se chama "A ilha Deserta de Mumin" que entre todas histórias foi a que menos gostei. Esta história se relaciona com um ditado popular "as aparências enganam".


         Este quadrinho traz o efeito cômico criticando a sociedade e a política, algo que me lembrou Mafalda em escala menor, pois Mumin vive rodeado de natureza e o pouco que Mumin tem contato com a sociedade vemos este efeito cômico que critica a sociedade. Além do lado cômico crítico, o quadrinho conta com as aventuras de um personagem que na realidade "só quero viver em paz, plantar batatas e sonhar!" (p. 18).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Melhores Leituras de 2014

Olá! Feliz 2015 a todos!

Após o fim de 2014 venho aqui falar quais foram as leituras que mais gostei no ano que se passou. Não vou classificar qual foi melhor, mas quais livros foram meus favoritos em 2014. Vamos a listinha:




-Decamerão - Giovanni Boccaccio

Este livro foi lido logo no início de 2014. Nunca tinha ouvido falar sobre Decamerão até receber uma indicação na faculdade. Confesso que foi um surpresa, pois o livro é muito engraçado e faz críticas pontuais do século 14 sobre a cólera divina (peste negra), de 1348, em Florença.










Cecília Meireles é uma escritora que me lembra minha infância e tenho mega carinho pela autora. Este livro foi meu reencontro com as obras dela e foi simplesmente uma experiência maravilhosa. 












Este livro ambienta bem o cenário entre a década de 1960 para a década de 1970, na França. Livro cheio de referências a esperança de mudanças políticas carregada de interesses por uma melhoria no jeito de se viver. 



-O Banqueiro Anarquista - Fernando Pessoa
Ferlinghetti dedica a Pessoa "Amor nos Tempos de Fúria" tendo como referência este livro que realmente dá o tom dos pensamentos defendidas pelo protagonista de Ferlinghetti.





-Cuca Fundida - Woody Allen 
Gosto um pouco dos filmes de Woody Allen e quando encontrei este livro foi uma grande alegria lê-lo. Foi um livro que devorei enquanto voltava para casa que me provocou muitas gargalhadas e sorrisos. Pretendo fazer resenha deste livro.








-Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie 

Este livro foi divulgado pela Editora Companhia das Letras gratuitamente em formato digital. Eu curiosa, pois sou feminista e gosto de ler sobre feminismo e além desta autora ser sempre bem falada por outros blogueiros e vlogueiros literários. O que tenho a dizer sobre este livro agora é que todas as pessoas, meninos, meninas deveriam ler e ouvir o que Adichie tem a dizer neste livro. Não vi ninguém resenhar este livro, talvez futuramente o resenho (por razões que acredito que todos deveriam ler).





Um livro ingenuo a principio, mas provocou-me grande sentimentos. A identificação com Eleanor foi bem forte e apesar do final não ser o fim de um contos de fadas foi condicente com a obra produzida. 









O meu interesse pelo Mumin se deve por sua fama e eu sou um pessoa que (estranhamente) gosta muito da Finlândia se ao menos ter ido ao país. Foi depois de um documentário que assisti sobre Tove Jansson comprei um livro e um quadrinho dela. Li o quadrinho "Mumin" primeiro e foi um grata surpresa de um personagem cativante e ingenuo que ama se aventurar. 





-O Amante - Marguerite Duras
Foi através da leitura compartilhada do Entre pontos e vírgulas que comecei a ler este livro. Infelizmente não li a tempo da discussão, mas li e super recomendo. Este livro nos confessa coisas que nos prende até o fim do livro. Não fiz ainda uma resenha, mas gostaria de fazer para demonstrar o quanto gostei deste livro que não acho que é um livro erótico, mas um livro de lembranças e cicatrizes.








Ferrari é um estudiosa argentina que buscou por contos ciganos. O livro é rico em suas histórias e imagens. Eu sou admiradora desta cultura nômade, e acredito que foi muito difícil para autora transpor uma cultura oral em palavras.










-O Existencialismo é um Humanismo - Jean-Paul Sartre
Este livro é um comunicado que o Sartre deu para desmistificar o que falavam sobre a filosofia existencialista. O livro é um bom introdutório para filosofia existencialista, mas não é um livro melhor que explica sua obra. O livro é pequeno e tenta explicar detalhadamente sobre o que o existencialismo não é para facilitar a compreensão do que ele é. 







-Solanin 1 e 2 - Inio Asano
O mangá sobre um casal de pessoas que acabaram de sair da faculdade. A história é carregada de questionamentos e de medos. Confesso que me identifiquei demais com muitas situações até porque estou no meu último ano de faculdade. Mas acredito que são mangás que acolhem estas pessoas que estão perdidas e ganhando sua própria independência. Pretendo ainda fazer resenha destes mangás.




-O Escolhido foi Você - Miranda July
Este é um livro do qual a pessoa passa a observar o entorno dela além da experiência virtual. Acredito que este livro foi me conquistando com a perseverança da protagonista que se vê desestimulada com a vida que tem e busca conhecer outras realidades que transforma a vida da protagonista. Este é um livro muito inspirador.









-Sailor Moon 1 ao 5- Naoko Takeuchi 
Sailor Moon faz parte de minha infância em forma de animes e no ano de 2014 pude ler o mangá de uns dos meus animes favoritos quando criança. No ano passado li até metade do 6° volume, pois não tinha conseguido comprar o 7° volume. No mês de dezembro lançaram o 9° volume e finalizarei em 2015 este mangá. Pretendo continuar escrevendo sobre Sailor Moon, 
mas provavelmente irei escrever possíveis spoilers. 
Tentei até agora não escrever spoilers em minha resenha, mas sendo uma série é meio difícil não contarmos uma ou outra coisa que pode sugerir o desenvolvimento da história. Assim como faço resenha de livros, escrevo associando outros elementos da cultura (música, outros livros, quadrinhos) e também utilizando do meus conhecimentos sobre História. Retomarei o ritmo das resenhas e falarei sobre esta tão querida série.