quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Comer Animais, de Jonathan Safran Foer

        

       Este livro fez uma interessante análise sobre os ambientes onde criam animais para abate e sobre a indústria de carnes e derivados. Esta leitura foi impulsionada pelo meu interesse no assunto, pois sou vegetariana e a muito tempo fui questionada desta escolha por todos a minha volta. Eu fui uma criança que não gostava de carne, comia por obrigação, e na quarta série tive uma aula prática de anatomia onde foi aberta uma galinha. Eu vi o sofrimento desta galinha que estava sedada com os olhos extremamente comprimidos e com a parte frontal dela aberta com os órgãos funcionando. Ainda para piorar tal experiência que fez eu nunca mais comer carne de frango (mesmo que sendo obrigada a comer carne), alguns alunos se achando melhores que a galinha arrancaram os órgãos com a mão e espremeram rindo da situação. Nesta resenha não venho te "converter" ao vegetarianismo ou veganismo. Só quero que você pense sobre o assunto mais um pouco.
        Jonathan Safran Foer fala que ao pesquisar livros que falassem mais do cuidado da alimentação percebia que a grande maioria era de livros vegetarianismo. O cuidado na alimentação é algo básico para saber se está realmente recebendo todos recursos (vitaminas, proteína, cálcio, ferro e etc) necessários para sua saúde. Entretanto, algo mais grave acontece, que é a generalização dos tipos de carnes comidos pelo ser humano, do qual não se importa com o que esta comendo, se houve um cuidado com este ser e se este vivia em um ambiente de qualidade (que ele não esteja doente ou sofrendo mal-tratos, como: sendo eletrocutados, e apagar o cigarro no corpo do animal). No livro traz alternativas para que este os animais sejam cuidados devidamente para o abate, alguns até se preocupando num menor sofrimento, que são fazendas menores e que os animais comem grama e ficam livres no pasto. Esta questão de cuidado de animais não é uma simples questão de se preocupar com que você está comendo, mas também questionar se o que está comendo realmente é algo bom. Questione o preço que paga pela carne, pois talvez os mal tratos e o animal doente esta sendo o seu alimento, pois é mais barato para indústria não desperdiçar, do que impedir a possível transmissão de doenças a quem come. Um grupo que se preocupa bastante com isto é a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) é um órgão não-governamental que luta pelos direitos animais e melhores condições deles, dá para ver como este órgão é odiado pelas grandes empresas. 
        O autor conta a história de sua vó que era judia sobrevivente do Holocausto e quando ela estava fugindo e faminta e encontrou um fazendeiro que ofereceu comida para ela, mas ela recusou, pois era algo com carne de porco (judeus não comem carne de porco). Isto me fez pensar muito nos argumentos que escuto, como em um tempo de guerra se come de tudo, mas até que ponto a carne realmente é necessária nestes momentos? Além disto, vem a questão, por que certos animais são comidos e outros não? Acima mostrei a recusa por um questão religiosa (kosher), mas os que não são, por que não comem cachorro, tartaruga, gato, barata, formiga, grilo, como comem incessantemente a carne de vaca, peixe, frango e porco? Jonathan Safran Foer responde esta pergunta com a questão de naturalização, da qual alguns animais, como o cachorro e o gato são tidos como animais amigos do homem, diferente do peixe que não interage mesmo que seja de estimação. Assim percebe que a resposta para esta questão é se o homem tiver um distanciamento e não ter o vínculo afetivo com animal, torna possível o homem se alimentar do animal. Resumindo, Foer cita uma frase de George Orwell, do livro Revolução dos Bichos, que diz "Todos animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros"
       A naturalização de se alimentar de carne não é mais uma questão de sobrevivência, pois agora com a globalização e a existência de supermercados e geladeiras você pode escolher que alimento deseja consumir quando vai ao mercado, a feira e todos os lugares onde você passa para comprar alimentarmos.  Nem a alimentação cheia de carne significa estar saudável. 
     Pensando sobre a naturalização do consumo, eu me deparei com um parte do texto de E. P. Thompson, historiador inglês, que falou sobre o final do século XVIII para o século XIX, quando o Reino Unido estava em guerra com as Treze colônias que se caracterizou com a Independência do Estados Unidos. Nesta época existia poucos recursos para se alimentarem, pois o Reino Unido dependia da produção das Treze colônias. Então, no Reino Unido, o consumo de batata estava permitindo a sobrevivência dos trabalhadores com os mais baixos salários; o pão branco era simbolo de status, mas com a alta da farinha o consumo deste se tornou mais difícil para os trabalhadores, os que ainda compravam ficavam à beira da indigência. Estes se viram obrigados a substituir sua dieta por batata, que significava uma degradação. No caso do consumo de "carne, como o trigo, envolvia uma questão de status que suplementava seu simples valor alimentar. O roast beff na velha Inglaterra era o orgulho dos artesãos e a aspiração do trabalhador. (...) A carne certamente serve como um sensível indicador dos padrões materiais, pois seu consumo seria um dos primeiros a crescer quando houvesse qualquer aumento real dos salários." (p. 181, de A formação da Classe Operária Inglesa, vol. II) Todavia, o consumo de carne era dado mais importância do que saber se ela estava em boas condições, então havia baixa de preços para carnes que estava estragando, estas carnes era compradas e consumidas com a ideia dar status.
         Desta forma, finalizo deixando pressa para reflexão. Deixo a pergunta para você, qual é seu critério de escolha de seus alimentos? Você verifica validade e ingredientes da composição dos alimentos que come? 
              Deixo deste vídeo do canal "Do campo à mesa" falando sobre o processo da indústria do leite:


        E outro vídeo que sugiro você veja é sobre rótulos:


     Neste final de ano, quero que repense se o que vem comendo está te fazendo bem. Não basta acreditar que a carne é necessário para vida. Além da carne existe uma infinidade de alimentos (frutas, verduras, legumes, sementes, frutos e raízes), porque apenas a carne te tornaria saudável? Verifique o que irá comer ou comeu, para ter uma vida mais saudável. Tente rever sua alimentação e veja se o que come está te fazendo bem. Como disse a valorização do consumo de carne era algo de status, pois a carne era cara, mas o que depende se você irá manter o consumo de carne sem conscientização. Seja consciente! Questione e busque informação sobre o que come e se ela te faz bem!

Feliz 2016!             

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"A arte de pedir", de Amanda Palmer

  

 A minha curiosidade por este livro veio pelo título e pelo interesse em adentrar mais profundamente na obra de Amanda Palmer. Eu conheci a banda The Dresden Dolls e Amanda Palmer na minha adolescência por conta do meu interesse por bandas do Dark Cabaret e bandas que trabalham com o experimentalismo musical. Bem, não vou me aprofundar sobre meu interesse musical aqui, pois tenho múltiplos interesses musicais, mas o importante em realçar é que por gostar de muitas bandas de gêneros diferentes eu nunca fui boa em ter saber suas produções e mesmo já existia internet não é nem do contato e proximidade das notícias das bandas e produções/shows. Então só ao ler o livro soube várias coisas que não acompanhei na carreira de Amanda Palmer, mas este livro não se resume a isto.
    O livro de Amanda parte de um questão particular dela de como ela lida com sua carreira, seus fãs, e dificuldades para problematizar questões que indagamos toda vez que questionamos quando chegará o próximo feriado ou as férias para enfim fazermos as coisas que queríamos fazer, pois o trabalho nos toma nosso tempo e disposição. Ela preferiu um caminho que para muitos é tido como perigoso que é viver de arte por escolha. Talvez alguém que não conhecesse ela antes ache que esta ideia de viver de arte é fácil, sendo ela um cantora pensando nos contratos de gravadoras e a ideia de estrelas da música. Entretanto, o estilo e formato de como ela lida com sua arte é diferente, ela vem das bandas independentes e percebemos com o livro que o contato com o fãs se torna não uma relação de ídolo com o fã, e sim relação de amizade com quem gosta de sua arte. 
     Voltando para a questão de viver de arte quero pontuar uma coisa amplamente discutidas entre o século XIX e XX sobre o lugar da arte. Isto se deve pela percepção do romantismo de gênio do qual o artista (o gênio) conseguia produzir algo tão elevado que desconectava a arte das demais coisas terrenas. Isto gerou um problema gigantesco que até hoje sofremos com suas consequências. A discussão que a arte ser algo elevado promoveu um movimento que defendia a "arte pela arte". Em contraponta desta teve um movimento feito, principalmente, por grupos de esquerda que dizia que o grupo que defendia a "arte pela arte" não queria ver e problematizar as questões sociais e assim camuflavam com uma arte transcendente. Se pegarmos toda esta discussão e aproximá-la do que Amanda Palmer faz como cantora e fez como escritora, eu diria que ela conseguiu fazer ambos tipos de arte em um. (Caso você descorde de mim, te desafio a definir e desenvolver sua linha de pensamento com argumentos plausíveis.) Como assim? Ambas? Sim, esta disputa sobre o lugar da arte  estava no século XIX e início do XX, e Amanda conseguiu provar que a rede de conexão que tem com seus fãs é tamanha que criou um grupo próximo a ela que se importa e a arte de pedir de Amandar gerou doadores e pessoas que pedem. O pedir para Amanda é:

 "Pedir é um ato de intimidade e confiança. Mendigar é uma função de medo, desespero ou fraqueza, Quem mendiga exige nossa ajuda; quem pede tem fé na nossa capacidade de amar e no nosso desejo de compartilhar."  (p.58)

    Ela desenvolve isto dizendo que não é algo para se envergonhar ou se sentir inferiorizado por isto, pois se pensarmos que vivemos um mundo onde o dinheiro seria a valoração para um sistema de trocas, e assim como outros trabalhos remunerados, ela doa sua carinho e arte em troca de apoio por vezes financeiros e outras vezes por colaboração para se manter produzindo arte. Assim, o pedir que Amanda Palmer produz não é simplesmente receber, a questão que está em jogo é a interconexões e contato que é gerado com a arte. O que, na verdade, ela fez foi incorporar-se dentro desta sociedade como artista e tendo sua flexibilidade de produção, mas ela também disse que passou pelo "síndrome de impostor" que esta sociedade tanto cobra as pessoas a terem trabalhos fixos que elas quando conseguem viver fazendo o que gosta e gastando o tempo que deseja para fazê-lo acredita que uma "patrulha da fraude" vai bater na sua porta querendo tirar satisfação e te chamar de impostor.
     Antes de ser cantora, ela foi estatua viva e chegou a receber dinheiro de pessoas sem-teto que se emocionavam quando ela os notavam e entregavam a eles as flores. Ela diz que percebeu que existe um poder da conexão humana, mas acredito que esta percepção do outro que a arte proporciona foi retirada e desnaturalizada. A desnaturalização da arte na sociedade desumanizou as relações e valorizou um tempo é dinheiro da máquina. Tolstoi, no livro "O Que Devemos Fazer" discute desta desnaturalização gerada pelo acumulo de dinheiro, no final do século XIX, ele diz havia pouca diferença entre o trabalhador das fábricas e os desempregados, pois o salário do trabalhadores eram tão baixo que mesmo trabalhando o dia todo não conseguia suprir todas as necessidades alimentares. Deste fato, Tolstoi parte para discussão de dar esmola, caridade e a pobreza: ele percebe que dar esmola não funciona, o ato de caridade pode suprir as necessidades momentâneas daqueles que recebem mais nunca será o bastante e então ele percebe que existia uma desnaturalização para que exista pobreza. A desnaturalização para que exista pobreza era do sistema controlado por uma valoração (dinheiro) que intermedeia a compra de comida, sendo que se o trabalhador vivesse no campo e não na cidade poderia produzir e viver muito melhor do que viveu na cidade. Neste sistema de desnaturalização, ele também discute por uma arte elitizada deveria se unir com a vida da popular e ensiná-los a ler e tornar histórias populares textos para ser escritos em livros. Sei que estamos no século XXI e que a analfabetismo melhorou muito do que já houve, mas o que quero conectar as ideias de Tolstoi com Amanda Palmer, podemos ver que eles entenderam que as pessoas precisam se unir por um vinculo de empatia e troca. Todavia, Tolstoi percebeu dai um caminho para um sociedade anarquista e Amanda encontrou uma possibilidade de criar uma comunidade se usufrua da ajuda mútua para que se mantenha a propagação da arte. 
      Na perspectiva de Amanda Palmer,  "ver um ao outro é difícil. Mas acho que, quando um vê o outro de verdade, temos de nos ajudar. Creio que os seres humanos são essencialmente generosos, mas que nosso instinto de generosidade às vezes enguiça." (p. 283) 
       Eu diria que realmente difícil as pessoas confiar nas pessoas, e ainda mais manter esta conexão demanda muito esforço,  pois ela diz que "temos que acreditar sinceramente na validade do que pedirmos - o que pode dar muito trabalho e requer a habilidade de andar numa corda bamba estendida sobre o abismo da arrogância e da soberba. E, mesmo depois encontrado esse equilíbrio, o jeito de pedir e de receber a resposta - admitindo e até acolhendo o não - é tão importante quanto o sentimento de validação." (p.25)
       
Só desejo que ela consiga conectar outras pessoas e mantenha suas conexões de troca entra as pessoas com a arte!

Desejo boa leitura a quem não leu este livro! (Confesso que chorei e ri muito lendo este livro, sugiro tenha lenço de papel ao lado) 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Sobre o sumiço e o final de ano

   Depois de um semestre atribulado e caótico, eu voltei para o blog. Sim...ainda há uma volta mesmo quando este semestre está acabando (estamos em Dezembro e logo ai Janeiro). Enfim, nesta volta revisitei a tal metas de leitura para 2015...e não fiz nem metade ainda do que pretendia nele. Isto se deve pelo simples motivo que eu não funciono com uma lista de livros para o todo ano, pois tem dias e por vezes meses que não quero ler nada do que pensava em ler no início do ano. Percebi isto em tentar realizar leitura temáticas em cada mês e agora aprendi de vez que também metas para 2015 não funciona comigo. Então saída para o futuro de planejamentos são no final do mês e início irei eleger um até quatro livros para ler...se perceber que isto não funciona volto aqui relatar tal aspecto que venho conhecendo sobre minha mutabilidade extrema ao escolher e ler livros.
    Então para este mês, pretendo agir em forma de salvação do que era meu plano de leitura neste ano. Tentarei ler alguns dos livros estava na meta, como: "Comer Animais", Jonathan Safran Foer, "A moral da ambiguidade", de Simone de Beauvoir, "Hibisco Roxo", de Chimamanda Ngozi Adichie, e "A senhora da Magia", de Marion Zimmer Bradley. Além deste livros poderei ler outros que vou ser selecionados de acordo com minha vontade no momento. 
     Neste tempo que estive sumida, eu li alguns livros e futuramente pretendo falar deles.
    Outras ideias me vieram em mente sobre o formato que faço minhas resenhas e assim que algo for decidido retorno a conversar sobre.



Desejo a todos ótimas leituras!
Beijos

domingo, 9 de agosto de 2015

Sense8 e a liberdade de expressão



   Há muito tempo, eu sou fã dos filmes feitos pelos Wachowski. Vi Matrix pela primeira vez quando criança. O que me fascinava nesta série de filmes Matrix era o questionamento e a ideia de existir uma realidade alternativa, algo que não a comumente via nos filmes da época. Quando criança não tinha tanto conhecimento  de que havia alguém que pensou na criação destes filmes, mas sabia que o produto final, o filme, parecia algo mágico para mim. Ao longo destes anos continuei revendo Matrix, e também passei a ver outros filmes destes diretores incríveis que tanto admirava, que são os irmãos Wachowskis.
   A série Sense8 para um leigo de filmografia destes diretores podem achar que esta série é um tanto maluca, pois conecta ficção científica com discussões de sociologia e uma discussão aberta sobre sexualidade. Porém, eu, Jéssica, vejo esta série como algo iluminador, não por ser uma série incrível (que é), mas por ter esta sensibilidade de interconectar as pessoas independente do sexo, gênero, sexualidade, ideologia e história de vida, como foi no filme Cloud Atlas feita pelo mesmos criadores desta série.  
  O assunto que tão bem explorado na série sobre identidade sexual e de gênero pode ser interligado com o discurso de premiação "HRC Visibility Award" em 2012, de um dos irmãos Wachowski, que se declarou trangênero. Acho este ato de se aceitar independente dos outros um ato maravilhoso e libertador, veja o que ela disse quando o ganhou:



  Esta linda fala me fez repensar como a suas obras demonstram muito a necessidade de se aceitar o seu verdadeiro eu, deixando as conveniências e padrões da sociedade. Isto pode ser reforçado quando vemos a série de Sense8, que traz um personagem que é ator que teme se assumir gay a mídia; e outra personagem transexual que vive com sua namorada, porém foge de uma família religiosa e preconceituosa que não a aceita como ela é de verdade. Acho incrível como eles conseguiram transmitir tantas mensagens e pontuar tantas questões dentro de uma série com 12 episódios.
  Este post pode ser um pouco diferente de outros que acostumo escrever aqui, mas saibam que o intuito que tive ao criar este blog foi de discutir e apontar que que feminismo é desejar a igualdade entre os seres, independente do sexo, gênero e opção sexual. Então acredito que este desabafo e indicação é extremamente importante. Gosto do meu blog como um espaço livre de expressão, pois com tanto odeio queria aqui semear o amor e a necessidade de dizer o tipo de feminismo que sou adepta, que é um feminismo que acredita no amor e que deve existir igualdade entre os seres independente de sua aparência física, escolaridade, classe social, sexualidade e ideologia.  
  Veja este trecho de Sense8 que mais define o que eu quis explicar neste post:
(Para quem não viu esta série, este trecho não dá spoilers, então fiquem relaxados ao ver este trecho)



Aproveitem para ver a primeira temporada! A segunda temporada foi confirmada e será disponibilizada no próximo ano.


sábado, 8 de agosto de 2015

Resultado da Maratona Literária de Inverno

 Durante o mês de Julho, eu li, na primeira semana:

-Peter Pan, de J. M. Barrie (um livro que me decepcionou muito) ★★
-A Família Mumin, de Tove Jansson; (terminei de lê-lo só na terceira semana) ★★★
Jogos Vorazes, de Suzanne Collins; ★★★

Na segunda semana eu li:

-Frankenstein, de Mary Shelley; ★★★
-Morte, de Neil Gaiman;  ★★★


Na terceira semana eu li:

-Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux; (Outra grande decepção) ★★
-Turma da Mônica - Laços, de Vitor e Lu Cafaggi ★★★
-Chico Bento: Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte ★★★
-Uivo: Kaddish e outros poemas, de Allen Ginsberg ★★★

Por não ter gostado do livro de Leroux precisava ler algo mais gostoso para tirar a possibilidade de não conseguir mais ler por conta de uma leitura ruim...então fui ler algumas hqs que não estavam na minha meta desta maratona, mas que foram bem legais para voltar a ler. Além dos hqs, eu li também o livro de poemas de Ginsberg que foi muito bom para conseguir terminar a semana. 

Na quarta semana li:
-As Memórias do Livro, de Geraldine Brooks; ★★★
-Iniciação ao naturalismo, de Vilberto A. Felipe; ★★


O que aprendi desta maratona foi que realmente sou pessíma em determinar que leitura devo fazer, pois tendo escolher minha leitura de acordo com o que acredito que me fará bem. Entretanto, esta maratona me auxiliou retomar as leituras do projeto de Penny Dreadful, pois li dois livros que faltavam para eu escrever um post sobre estas leituras. Logo logo irei escrever este post onde pontuarei minha perspectiva sobre os livros e a série. (Adianto que falarei só sobre a primeira, pois a segunda temporada ainda não vi.)

Um beijo!

 Desejo ótimas leituras a todos!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Maratona Literária de Inverno de 2015 #MLI2015

     Olá, venho aqui dizer que irei participar da Maratona Literária de Inverno de 2015, que foi criada e divulgada pelo canal do youtube Geek Freak. Esta maratona não será como as maratonas de 24 horas, esta maratona acontecerá durante o mês de Julho (começa dia 6 de Julho até 3 de Agosto) sem precisar passar a noite em claro. O formulário para inscrição para participar desta maratona vai até dia 3 de Julho. Nesta maratona terá feita com semanas temáticas.

TBR TEMÁTICA

Semana 1: Fantasias, Distopias e/ou Ficção Científica
Semana 2: Thriller, Suspense e/ou Terror
Semana 3: YA Contemporâneo, Romance e/ou Drama
Semana 4: Livros nacionais
 
   Caso queira pode participar dos desafios que vão rolar na maratona, que serão:

- Um livro com figuras ou ilustrações
- Comece e/ou termine uma série, trilogia ou duologia
- Um livro que alguém escolheu por você
- Um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica
- Um livro com a capa azul
- Um livro do gênero que você menos leu ano passado
- Um livro que você ganhou
- Um livro com mais de 400 páginas

     Eu deixei um tempo sem postar por inúmeras coisas da vida, e talvez esta maratona me dê uma energia para voltar a postar e escrever aqui. Escolhi uma quantidade acima do que eu normalmente leio e vamos ver o que será, pois também irei ler durante o mês coisas para faculdade e estou no fim da faculdade tentando terminar a monografia quanto antes. Vamos a organização que fiz de leituras de acordo com as semanas.

-Semana 1 (06/07-12/07) : Fantasias, Distopias e/ou Ficção Científica
Peter Pan, de J. M. Barrie;   Com este livro realizei estes desafios: Livro com capa azul e Um livro que você ganhou

A Família Mumin, de Tove Jansson;

Jogos Vorazes, de Suzanne Collins;  Com este livro realizei estes desafios: Comece e/ou termine uma série, trilogia ou duologia, Um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica, Um livro do gênero que você menos leu ano passado.

-Semana 2 (13/07-19/07): Thriller, Suspense e/ou Terror
Frankenstein, de Mary Shelley;

Morte, de Neil Gaiman;  Com este livro realizei este desafio: Um livro com figuras ou ilustrações

-Semana 3 (20/07-26/07): YA Contemporâneo, Romance e/ou Drama

Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux;

Os fios da fortuna, de Anita Amirrezvani;

As Memórias do Livro, de Geraldine Brooks;

-Semana 4 (27/07-03/08): Livros nacionais
Doidas e Santas, de Martha Medeiros;

Iniciação ao naturalismo, de Vilberto A. Felipe;

A Filha das Flores, de Vanessa da Mata.

   Além destes onze livros irei reler durante o mês Decameron, de Boccaccio. Isto contabiliza doze livros para Maratona Literária de Inverno de 2015. Pretendo atualizar a cada semana o que li e caso queiram ver o desenvolvimento das leituras em tempo real, pode me seguir no Instagram.
   Alguém se empolgou em participar? Caso queira participar corre para se escrever que esta maratona terá alguns prêmios que serão divulgados durante ela.

Um beijo a todos! Boa maratona para todos!

domingo, 22 de março de 2015

A raposa sombria, de Sjón



    Assim como a compra deste livro que foi despretensiosa, li o livro sem esperar algo extraordinário, e talvez por isto este livro me surpreendeu. O que me chamou a atenção foi o título dizendo que era uma lenda islandesa e ao comentário na capa da cantora Björk que dizia: "Quando preciso de algo épico e lírico, eu recorro ao Sjón. A raposa sombria é uma novela mágica." Sou fã da cantora Björk e aos poucos me empolguei com a possibilidade de encontrar algo "mágico", como ela disse.
    O livro possui apenas quatro capítulos onde o primeiro datam dos dias 9 a 11 de janeiro de 1883, o segundo capítulo datam dos dias 8 a 9 de janeiro de 1883, o terceiro datam dos dias 11 a 17 de janeiro de 1883 e o último capítulo data do dia 23 de março de 1883. Este brincadeira com a cronologia não é mero descaso do autor, mas gera ao ler uma busca para entender o porquê de cada detalhe dado em cada capítulo. Só entendi quem eram os personagens ao final do livro.
     A raposa neste livro é mais do que um simples animal que ao princípio estava sendo caçada em um dia que nevava, mas pensando em unir a mitologia nórdica e a representação de quem era a raposa em "Odd e os Gigantes de Gelo", de Neil Gaiman, que a raposa era o deus Loki. No começo pensei que talvez estava querendo encaixar algo que não era, mas ao longo do livro só foi se confirmando esta possibilidade de associação.
      Não quero falar muito sobre este livro, não por estar com preguiça, mas que o interessante nele é descobrir e conectar as informações. 
          A letra da música "Wanderlust", que é uma música da Björk com colaboração de Sjón, conversa muito que este livro, pois o livro renega o "civilizado" para "navegar nas leis da natureza".  


     

        
Na minha percepção a música se conectou não só a raposa como se mesclou com a "lenda" criada sobre Abba.

  Este livro trata de forma muito cuidadosa e "mágica" sobre assuntos que são pesados. Realmente, esta foi uma das minhas melhores leituras do ano.
 
   

terça-feira, 10 de março de 2015

Exposição da Mafalda


    Este post é para mostra um pouco da exposição da Mafalda, que aconteceu na Praça da Arte, em São Paulo. A exposição continha várias tirinhas das quais não tinha uma conexão com a outra. 
    O público que mais se direcionava a tirinhas era os adolescentes e adultos. Quanto as crianças, elas não esperavam a hora de poder interagir ou com uma pequena oficina que tinha no espaço ou por um espaço cheio de puffs onde passava episódios da versão televisiva dos quadrinhos.
    A primeira tirinha que vi na exposição foi esta:




 Dá para perceber que ela foi retirada do seu contexto nem se quer foi explicado para o visitante sobre o período que foi feita Mafalda para entender a crítica. Porém, não por isto me preocupei, pois a exposição estava recebendo em grande quantidade de visitantes de facha etárias diferentes e o percebia que o propósito destes eram diferentes. Entendendo isto, creio que só de atrair pessoas não leitoras ou leituras de quadrinhos lerem e interessá-los a buscar mais sobre a Mafalda.
  O espaço contava também com reconstruções de imagens no espaço.








  Esta imagem abaixo reconstruí Mafalda e seus amigos estavam assistindo Pica-Pau. Esta reconstrução estava dentro de um televisão antiga, quando apertava o botão começava a tocar a música da vinheta do Pica-Pau.


Já nesta outra imagem abaixo, Mafalda "dançava" a som de Beatles.


Esta tirinha que brinca com o trágico possuía ...  


... a reprodução dá invenção de Felipe em tamanho real.


    Para finalizar minha breve demonstração do que foi a exposição, deixo um quadrinho que muito diz a importância da personagem.






Espero que tenham gostado!
 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Sejamos todos feministas", de Chimamanda Ngozi Adichie


  Este texto disponibilizado pela Editora Companhia das Letras gratuitamente em formato digital é um discurso de Chimamanda Ngozi Adichie com o mesmo título  que é possível encontrar no youtube.
   Chimamanda neste discurso no mostra qual imagem é feita do feminismo, das feministas e da mulher independente. Através das experiências da autora vemos que a representação da mulher em uma sociedade onde ela deve representar algo contido, e frágil. Quando ela passa a expressar o que pensa é vista como alguém radical, da qual é demonizado esta possibilidade de liberdade da feminina.
     O foco desta fala foi sobre a naturalização dos hábitos patriarcas que se perpetuam e minam as mulheres. No caso da vivência de Chimamanda vários exemplos de naturalizações que são tão corriqueiras que para seu amigo Louis não percebia tais preconceitos.
      Assim como ela falou que o feminista foi estereotipada como uma mulher infeliz, uma pessoa que não usa maquiagem, uma ideia apenas para mulheres ocidentais e brancas. O problema que Chimamanda teve em se identificar com as feministas europeias também está relacionado a ideia que ela explorou em outro discurso sobre o "O perigo de uma história única":



       A história por muito tempo só foi considerada como se era escrita. Por tais motivos viam os povos africanos e indígenas, como povos sem história por não terem uma cultura registrada pela escrita, mas pela oralidade. Hoje em dia é reconhecida a história oral e que a escrita não critério para determinar se povos tem ou não história. O problema que causou esta ideia de que a escrita era detentora da "verdade"  gerou a ideia de uma unitariedade sobre os acontecimentos. Esta perspectiva foi bem explorada pelos países europeus ao invadirem/explorarem/colonizarem os continentes da América, África, Oceania, do qual diziam que iriam fazer bem a estes povos que eram selvagens e civilizá-los.
          O que isto tem a ver com o "Sejamos todos feministas"? Bem, perceba que a naturalização dos preconceitos a mulher, ao negro, ao diferente da normalidade vem desta raiz de pensamento de história única, no qual apenas destila preconceito e inferioriza quem é diferente.
          O problema da representação da mulher tem vínculos no caso da religião cristã de que a mulher deve ser submissa ao homem, por Eva ser tirada de Adão. Porém sabemos que a Bíblia como outros diversos livros religiosos ou não foram modificados com o tempo, ou pela tradução, ou pela exclusão ou adição de novas ideias dos seus editores e escribas.
        Pensando nos acontecimentos mais recentes ao mundo, pensei no caso do jornal Charlie Hebdo. A França colonizou e explorou a África até a segunda metade do século XX, quando deixou os países. Pessoas das ex-colônias francesas chegaram a imigrar para a França. A França, mesmo lugar da Revolução Francesa, de 1789, que lutava pela "Liberdade, Fraternidade e Igualdade" foi o lugar que impediu pessoas de religião islâmica de usarem suas vestimentas nas escolas, mesmo que tenha um crucifixo na sala. Queria saber onde está este lema da Revolução de 1789!
        O conflito entre imigrantes das ex-colonias e a França é algo ainda muito presente. O acontecido no jorna Charlie Hebdo só mostra um pouco do conflito que foi motivo para caçarem pela Europa qualquer pessoa que professe a religião islâmica. Não quero defender que é legal matar franceses por isto, mas o jornal que se dizia humorístico vivia publicando preconceitos, como nestes link que possuem imagens: http://www.anarquista.net/wp-content/uploads/2015/01/Charlie-Hebdo-As-6-charges-mais-polemicas.jpg, e http://super.abril.com.br/blogs/crash/files/2015/01/002.jpg.

     Estas imagens explicitam odeio e preconceito racial e religioso. Não existe desculpa para tirar sarro e ainda acreditar que todos estão gostando de como a revista era preconceituosa. Perceba que ela atacou até o cristianismo.
       Agora pergunto, como esta revista divulgava tanto preconceito e odeio ao outro e ainda vem dizer sobre intolerância?
     A religião islâmica não prega o ódio, a religião nada tem conexão com o extremismo ou radicalismo de grupos. O problemático nisto tudo é que após o acontecido na França, começou no Brasil acontecer agressões a muçulmanos (veja notícia aqui).
         Reforço o que Chimamanda diz que na palestra do perigo da história única que ao repetir e propagar uma única ideia e/ou imagem sobre um povo, se não tiver interesse ou recurso de saber mais, possivelmente terá aquele esteriótipo deste povo. Como a palavra imigrante no Estados Unidos dirigir muitas vezes aos mexicanos de forma pejorativa.
         Acho o livro e vídeo "Sejamos todos feministas" muito importante para questionar a tudo que temos hoje. Devemos desconstruir estes mecanismos de etiquetar e classificar se alguém é inferior ou superior. Recomendo também leiam mais sobre o que aconteceu no jornal do Charlie Hebdo ("Por que não sou Charlie Hebdo - Je ne suis pas Charlie" e "Pensar o atentado ao Charlie Hebdo") e a propagação ao odeio ao imigrantes e refugiados na Europa ("'Violência racial cresceu em Dresden', diz assistente de vítimas").
         Chimamanda dá acesso ao debate sobre a naturalização dos preconceitos e da história única. Peço para quem leu até aqui que se questione mais sobre uma única perspectiva sobre um lugar, um povo, um religião e uma ideologia.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Em busca de um homem sensível", de Anaïs Nin

   

     Não sabia o que esperar de um livro com o título “Em busca de um homem sensível”. Este livro foi o meu primeiro contato com a obra de Anaïs Nin. Novamente me surpreendo. O livro é composto de crônicas e entrevistas que foram divididas em três subtítulos: “Mulheres e Homens”, “Livros, música e filmes” e “Lugares encantados”.
    O primeiro subtítulo fala sobre o ser mulher e a representação dela nos livros. Anaïs é escritora de livro erótica e defende nesta parte que o “amor e a sensualidade estão geralmente interligados” (p.09) Mostra que ainda no século XX, a mulher era julgada por revelar sua natureza de sua sensualidade. O que lembra a ela o acontecido com George Sand com Zola, por ela em:

 “uma noite de amor; com ela deu livre curso à sensualidade, ao partir ele deixou-lhe dinheiro sobre a cabeceira, para significar que a seus olhos uma mulher apaixonada era uma prostituta.” (p. 12)


    Este caso demostra quão machista não deixar a mulher também sentir prazer. Infelizmente pelo que Anaïs nos fala este problema em entender que a mulher pode sensual e amar não faz dela inferior nem de ser prostituta.
   Anaïs Nin conta que os livros dela eram julgados como sendo pornográficos e ela nos mostra vários trechos classificados como pornográficos e explica que o que faz é escrever histórias eróticas. A diferença entre pornografia e erotismo para a autora é que: “(...) a pornografia trata sexualidade de uma maneira grotesca, rebaixando-a ao nível animal. O erotismo desperta a sensualidade sem precisar rebaixá-la.” (p. 14) A escrita de histórias eróticas para Anaïs Nin não deve generalizar a mulher, pois existem diversos tipos de mulheres e os escritos eróticos dos homens não “satisfaz às mulheres”, por terem “descrições explícitas, por uma linguagem crua.” (p. 12) Anaïs compreende as obras eróticas feitas por homens cria uma ideia de um “caçador” que para a mulher se torna o “estuprador”. Como solução ela diz que “é tempo de escrevermos a nossa; nossas necessidades, fantasias e comportamentos eróticos”. (p. 12)
   A autora defende nesta primeira parte para que as mulheres deixem de ser passivas e que se libertem. Assim como ela descreve as mulheres de seus livros que reenvida a uma “nova mulher". Ela elogia Violette Leduc, Caitlin Thomas, Dylan Thomas por serem escritoras que escreveram abertamente sobre suas necessidades e experiências. Percebo o quão importante é ler livros de mulheres. Se ficássemos presas e presos a escrita predominante (de escritores homens) iremos cometer o erro de não dar a voz para outras perspectivas e compreensões da vida diferentes.
   Ela finaliza esta primeira parte falando o que seria um “homem sensível”. Anaïs descreve-o alguém que oferte:
 “amor sem egocentrismo, sem exigências, sem restrições morais. Um amor que não definisse as obrigações das mulheres (...)
   Um amor equitativo. Todo novo. Como um país novo. Não se pode ter ao mesmo tempo dependência e independência. Podemos alterná-las, de tal modo que elas cresçam sem entraves nem obstáculos. O homem sensível tem consciência das necessidades das mulheres. Ele procura deixa-la existir por si mesma.” (p. 51)

    A segunda parte, Anaïs Nin nos indica livros como “A vontade de criar” de Otto Rank, “O teatro completo, de D. H. Lawrence”, Djuna Barnes, “A academia do Suicidio”, de Daniel Stern, “Miss Macintosh, My Darling”, de Marguerite Young, onde ela nos conta suas experiências ao ler estes livros. Indicando também ouvirmos Edgar Varèse e vermos “Un chant d´amour”, de Jean Genet, e os filmes de Ingmar Bergman.
   Na terceira parte, ela conta para nos sobre lugares que a encantaram como foram: Fez, Marrocos, Bali, Port-Vila. Ao mesmo tempo que se apaixona pela beleza destes lugares, ela critica a ocidentalização dos espaços. Em Marrocos relata que se modificou pelo excessivo de turismo europeu fez com que crianças pedissem esmola e traficassem drogas para turistas. Anaïs criticou esta invasão da cultura ocidental em Marrocos, porém em Port-Vila não aconteceu isto por justamente quererem preservar as tradições e costumes locais.
   A destruição ocasionada pelo ocidente de culturas com finalidade de “homogeneizar” trazendo padrões outros em lugares onde existem toda uma compreensão de vida que é modificada para se “normalizar” (ocidentalizar). Como foi as outras argumentações para colonizar e destruir povos ditos “selvagens” e “bárbaros”. Lembrando que o discurso cria uma hierarquia entre aqueles que tem voz e são ouvidos. Isto me remete o conflito existente na França com a presença de muçulmanos. Pretendo me aprofundar sobre isto talvez na próxima semana.


    A última subdivisão desta terceira parte nos conta uma memória linda que teve com uma senhora turca. Ela não sabia se comunicar em outra língua a não ser a dela, a senhora necessitava de ajuda para chegar a Paris para reencontrar com sua filha. Esta última história me fez abraçar o livro pelo dia inteiro após lê-lo. 
  Estou feliz por ter lido um livro de uma mulher corajosa o suficiente em discutir temas tão polêmicos. Realmente é um livro inspirador. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Mumin" volume 1, de Tove Jansson


                                              


    Este livro é o primeiro volume dos quadrinhos do Mumin feita por Tove Jansson. Pelo que tinha visto no documentário, na década de 1940, Tove escreveu primeiro romances sobre Mumin e suas aventuras, e só depois quando atingiu sucesso a autora desenhou histórias em quadrinhos sobre Mumin, no período de 1977 a 19781. Infelizmente, no Brasil só foi traduzida o volume 1 dos quadrinhos e demais obras de Tove não são tão fáceis de encontrar em português. Este quadrinho possui 4 histórias. 
      A primeira história se chama "Mumin e os invasores" que nos apresenta Mumin que parece com um hipopótamo branco que se mete em situações por conta de sua bondade e ingenuidade. Neste primeiro capítulo, Mumin pede auxilio de Faro-Fino para que ele possa ter paz na casa dele, pois a sua casa estava lotada de hóspedes e parentes que o impediam de viver e dormir bem.


         Ao longo desta história, Mumin chega ao desespero por não se solucionar o problema e até mesmo agravá-la. Então ocorrem situações que para qualquer um seria vista como algo muito ruim,   
mas Mumin não tem está visão. Não sei se é tanta ingenuidade ou talvez um otimismo que ele leva a sua vida. 


        Ainda nesta história, Mumin fala para Faro-Fino que "Eu só quero viver em paz, plantar batatas e sonhar!" (p. 18). O que soou um tanto o que li em "A Desobediência Civil" de Thoreau quando disse que não acreditava muito no governo, pois cobrava impostos de terras que não eram deles e para Thoreau a melhor forma de governança seria que cada um tivesse sua terra e fizesse dela o que quisesse. 
         A segunda história deste livro é "Mumin e a Vida em Família" que tem como principal a busca de Mumin pela sua família. A história pela tirinha que deixei logo abaixo pode dar impressão que vai ser um história triste, mas, na verdade, esta segunda história é bem engraçada, pois brinca com valores da relação entre a família e seus membros. 


          Nesta terceira história "Mumin na Riviera", Senhorita Snork e o pai de Mumin se animam na primavera para viajarem para Riviera, enquanto Mumin prefere ficar na região do campo e observar a natureza. Neste momento Mumin me lembrou um pouco Werther, de "Os sofrimentos do jovem Werther", de Goethe, quando logo chegou ao campo, ele saia para caminhar e escrever. 
         

     Apesar de Mumin querer ficar e sua mãe também, todos acabaram indo para Riviera. O interessante desta história é que brinca com a questão da inocência da família de Mumin e com os valores valorizados por aqueles que super valorizam o dinheiro. Um exemplo disto é esta tirinha que mostra quando a mãe de Mumin perguntou se encontraria uma certa cor de fio de lã para comprar, pois o novelo dela tinha acabado. Então vemos a questão da relação de poder e da microfísica do poder que está presente na sociedade e que para a família de Mumin foi vista como algo estranho. O que me deixou muito mais feliz e interessada em como é este relacionamento que não possui uma relação de poder enraizada.


    A última história se chama "A ilha Deserta de Mumin" que entre todas histórias foi a que menos gostei. Esta história se relaciona com um ditado popular "as aparências enganam".


         Este quadrinho traz o efeito cômico criticando a sociedade e a política, algo que me lembrou Mafalda em escala menor, pois Mumin vive rodeado de natureza e o pouco que Mumin tem contato com a sociedade vemos este efeito cômico que critica a sociedade. Além do lado cômico crítico, o quadrinho conta com as aventuras de um personagem que na realidade "só quero viver em paz, plantar batatas e sonhar!" (p. 18).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Melhores Leituras de 2014

Olá! Feliz 2015 a todos!

Após o fim de 2014 venho aqui falar quais foram as leituras que mais gostei no ano que se passou. Não vou classificar qual foi melhor, mas quais livros foram meus favoritos em 2014. Vamos a listinha:




-Decamerão - Giovanni Boccaccio

Este livro foi lido logo no início de 2014. Nunca tinha ouvido falar sobre Decamerão até receber uma indicação na faculdade. Confesso que foi um surpresa, pois o livro é muito engraçado e faz críticas pontuais do século 14 sobre a cólera divina (peste negra), de 1348, em Florença.










Cecília Meireles é uma escritora que me lembra minha infância e tenho mega carinho pela autora. Este livro foi meu reencontro com as obras dela e foi simplesmente uma experiência maravilhosa. 












Este livro ambienta bem o cenário entre a década de 1960 para a década de 1970, na França. Livro cheio de referências a esperança de mudanças políticas carregada de interesses por uma melhoria no jeito de se viver. 



-O Banqueiro Anarquista - Fernando Pessoa
Ferlinghetti dedica a Pessoa "Amor nos Tempos de Fúria" tendo como referência este livro que realmente dá o tom dos pensamentos defendidas pelo protagonista de Ferlinghetti.





-Cuca Fundida - Woody Allen 
Gosto um pouco dos filmes de Woody Allen e quando encontrei este livro foi uma grande alegria lê-lo. Foi um livro que devorei enquanto voltava para casa que me provocou muitas gargalhadas e sorrisos. Pretendo fazer resenha deste livro.








-Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie 

Este livro foi divulgado pela Editora Companhia das Letras gratuitamente em formato digital. Eu curiosa, pois sou feminista e gosto de ler sobre feminismo e além desta autora ser sempre bem falada por outros blogueiros e vlogueiros literários. O que tenho a dizer sobre este livro agora é que todas as pessoas, meninos, meninas deveriam ler e ouvir o que Adichie tem a dizer neste livro. Não vi ninguém resenhar este livro, talvez futuramente o resenho (por razões que acredito que todos deveriam ler).





Um livro ingenuo a principio, mas provocou-me grande sentimentos. A identificação com Eleanor foi bem forte e apesar do final não ser o fim de um contos de fadas foi condicente com a obra produzida. 









O meu interesse pelo Mumin se deve por sua fama e eu sou um pessoa que (estranhamente) gosta muito da Finlândia se ao menos ter ido ao país. Foi depois de um documentário que assisti sobre Tove Jansson comprei um livro e um quadrinho dela. Li o quadrinho "Mumin" primeiro e foi um grata surpresa de um personagem cativante e ingenuo que ama se aventurar. 





-O Amante - Marguerite Duras
Foi através da leitura compartilhada do Entre pontos e vírgulas que comecei a ler este livro. Infelizmente não li a tempo da discussão, mas li e super recomendo. Este livro nos confessa coisas que nos prende até o fim do livro. Não fiz ainda uma resenha, mas gostaria de fazer para demonstrar o quanto gostei deste livro que não acho que é um livro erótico, mas um livro de lembranças e cicatrizes.








Ferrari é um estudiosa argentina que buscou por contos ciganos. O livro é rico em suas histórias e imagens. Eu sou admiradora desta cultura nômade, e acredito que foi muito difícil para autora transpor uma cultura oral em palavras.










-O Existencialismo é um Humanismo - Jean-Paul Sartre
Este livro é um comunicado que o Sartre deu para desmistificar o que falavam sobre a filosofia existencialista. O livro é um bom introdutório para filosofia existencialista, mas não é um livro melhor que explica sua obra. O livro é pequeno e tenta explicar detalhadamente sobre o que o existencialismo não é para facilitar a compreensão do que ele é. 







-Solanin 1 e 2 - Inio Asano
O mangá sobre um casal de pessoas que acabaram de sair da faculdade. A história é carregada de questionamentos e de medos. Confesso que me identifiquei demais com muitas situações até porque estou no meu último ano de faculdade. Mas acredito que são mangás que acolhem estas pessoas que estão perdidas e ganhando sua própria independência. Pretendo ainda fazer resenha destes mangás.




-O Escolhido foi Você - Miranda July
Este é um livro do qual a pessoa passa a observar o entorno dela além da experiência virtual. Acredito que este livro foi me conquistando com a perseverança da protagonista que se vê desestimulada com a vida que tem e busca conhecer outras realidades que transforma a vida da protagonista. Este é um livro muito inspirador.









-Sailor Moon 1 ao 5- Naoko Takeuchi 
Sailor Moon faz parte de minha infância em forma de animes e no ano de 2014 pude ler o mangá de uns dos meus animes favoritos quando criança. No ano passado li até metade do 6° volume, pois não tinha conseguido comprar o 7° volume. No mês de dezembro lançaram o 9° volume e finalizarei em 2015 este mangá. Pretendo continuar escrevendo sobre Sailor Moon, 
mas provavelmente irei escrever possíveis spoilers. 
Tentei até agora não escrever spoilers em minha resenha, mas sendo uma série é meio difícil não contarmos uma ou outra coisa que pode sugerir o desenvolvimento da história. Assim como faço resenha de livros, escrevo associando outros elementos da cultura (música, outros livros, quadrinhos) e também utilizando do meus conhecimentos sobre História. Retomarei o ritmo das resenhas e falarei sobre esta tão querida série.