quarta-feira, 13 de agosto de 2014

"Maus", de Art Spiegelman



"Maus" é um quadrinho que carrega muitos sentimentos fortes, pois conta através da vivência de Vladek, um judeu que morava na Polônia que conta a seu filho Artie sobre a história da vida dele antes e durante a 2° Guerra Mundial. O quadrinho é divido em duas partes o antes da 2° Guerra Mundial e no outro o durante a guerra. O método que o autor usou  foi através de entrevistas de seu próprio pai para fazer esta obra. Então, nós temos partes que ambientam os dias das entrevistas e assim conseguimos traçar o que houve com Vladek ao longo do tempo. 

Aqui respondo como encontramos Vladek no período em que foi entrevistado, ele se tornou alguém que demonstra o sofrimento de perdas de conhecidos, familiares e amigos. Ele, depois de ter sobrevivido ao campo de concentração, que se apegou a tudo que lhe restou, assim como objetos sem utilizadade que foram guardados em sua casa. Vemos Artie fazendo um processo de que em História chamamos de História Oral que é afiliada a História do Tempo Presente onde a fonte de estudo são entrevistas. Mesmo sendo tempo mais recente, como se lida com pessoas, memórias e ponto de vistas não se tem algo imparcial. 


Nestas tirinhas que mostro acima possui esta discussão:

Vladek: -"Mas isso que acabo de contar, sobre Lucia e eu, eu não quer que você escreva na sua livro."
Artie: -"Quê? e por que não?"
Vladek: -"Não tem nada a ver com Hitler, com holocausto!"
Artie: -"Mas, taí, é um ótimo material para o livro deixa tudo mais real, mais humano. Quero contar a sua história, do jeito que aconteceu."

         O trecho acima é recorrente vermos nas entrevista de história oral pessoas contarem outras coisas além do que o entrevistador deseja, mas não devemos impedir a pessoa de nos contarmos outros assuntos, devemos orientá-los com perguntar para mostra o que queremos saber sobre suas lembranças. 
          Outro ponto que podemos abordar com este trecho questionarmos sobre o propósito da biografia e se isto seria uma biografia realmente, pois ele diz que pretende tornar mais "real", mas como literatura não tem compromisso algum com a realidade, Art Spiegelman pode bem não estar contanto "a verdade". Desta forma, parte ou muito pode ser criação do próprio autor.
          Tirando esta teoria de talvez seja apenas uma ficção, vemos a preocupação do autor de transmitir os sentimentos do Vladek nas entrevistas, assim como:

Este cansaço, esgotamento emocional e mal-estar que Vladek demonstrava pelos seus sentimentos de medo e pesar pelo futuro que o aguardava durante a 2° Guerra Mundial, e mesmo depois de ter se mudado para os Estados Unidos ele temia o retorno de ser perseguido. Num trecho em que Vladek conversa com seu filho que demonstra isto em palavras:

Vladek: -"Nunca senti culpa por causa do Richieu, mas tinha pesadelos com homens da SS invadindo minha classe e levando todas as crianças judias."
Vladek: -"Não me entende mal, eu não era obcecado por essas coisas... só que ás vezes imaginava que tinha zyklon B saindo do chuveiro lá de casa, e não água.”

Este trecho mostra o medo constante e o trauma que não foi superado. Daí, nós encontramos as emoções que citei, porque Vladek passou por campo de concentração, fuga para que não fosse pego pelos nazistas e em tudo isto englobava sofrimento e tristeza. Antes da guerra o pai de Artie tinha conhecido sua mãe (Anja) que junto de seu pai passam por este período e situações ruins por um preconceito religioso. Porém vemos que o próprio Vladek quando mais velho foi preconceituoso com uma pessoa por ser de um tipo físico. Pontuando que até que ponto a pessoa que sofreu preconceito a ponto de ser preso para morrer pode ser injusto com outro por simplesmente ser diferente e possuir um preconceito que atribui se a pessoa é boa ou ruim.
Isto me lembra de um trecho onde Vladek foi convocado e por medo atirou sem parar em um soldado alemão que pedia ajuda por estar ferido. A questão de instinto de sobrevivência vinculado ao medo fez como que ele matasse um soldado ferido por desejar sobreviver. Porém no caso que relatei acima onde ele foi preconceituoso com quem não fez nada de ruim a ele e mesmo assim julgá-lo como ruim. Vejo nisto, como a banalização da violência gratuita que desumaniza os seres vivos que busca ver no outro uma imagem ruim por serem diferenças ou pelo sexo, ou pela sua cor, ou pela sua crença espiritual/religiosa, ou seus gostos. Acredito que independente das particularidades de cada ser vivo creio que por sermos seres vivos devemos vermos como iguais, todos tem momentos alegrias, medos, dificuldades, tristeza e raiva, mas porque nossas diferenças devem nos odiarmos a ponto de desejar algo ruim a pessoa? Até que ponto a argumentação do preconceito pode tornar seres vivos de um grupo inferior ou melhor do que o outro?
            Estas questões podem ser conectadas com um acontecimento atual sobre um discurso de superioridade e inferioridade que no caso Israel e Palestina se inversão de papéis de oprimido para opressor onde judeu israelense está dominando território da Palestina e matando o povo palestino. Justo este os judeus que foram perseguidos e não tinham uma relação de identidade nacional, mas religiosa está massacrando outro povo que cedeu território para eles viverem e fazerem seu próprio país. Aqueles que foram diferenciados e julgados por sua religião não deveria cometer tal desumanidade contra os outros. Só fiz tais comentários e conexões, pois se banalizou tanto o assunto da violência que naturalizamos a violência ao outro. Vejo o quanto de documentários, filmes e livros falarem sobre a 2° Guerra Mundial que parece que ao longo da História passada e presente não existiu e existe esta banalização da violência ao outro.  
Voltando ao livro, vejo que o autor soube articular muito bem a união da história oral e buscar compor uma biografia. Mesmo se esteja uma ficção por completo ou parcialmente, acreditamos que a busca de fazer homenagem a seu pai é o importante na obra. O foco dele é de conectar o sofrimento destes que sofreram perseguição e mortos pelo preconceito e violência do governo nazista efetuado sobre eles. Estas lembranças e vivências que os pais do autor passaram e que ele só ouvir falar. A transmissão das memórias e sofrimentos das pessoas que passaram por tal violência tendem a se fechar e como Vladek se endureceu como forma de sobreviver a dor e lutar para continuar vivendo ou sobrevivendo.



2 comentários:

  1. Até hoje não conheci ninguém que não tenha gostado de Maus, Jéssica.
    Eu só não comprei ainda porque acho o preço bem salgado, mas o que não falta é vontade de ler.
    Beijo! =D

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    Respostas
    1. Eduarda, acredito que como gostou de Sin City, você vai gostar deste livro. Mas acho que sempre é um leitura que deve estar preparado emocionalmente para aguentar algumas partes deste livro.
      Relaxa, acredito que pode entrar em promoções e sempre a companhia da letras faz alguns descontos anuais ou peça para alguém emprestado. ;)
      Muito obrigada pela visita!
      Desejo ótimas leituras!
      Beijo!!

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