quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Em cartaz nos cinemas: "Violette" Leduc


        Soube através de uma página sobre Simone de Beauvoir nas redes sociais que o filme "Violette" estreará hoje no Brasil, no dia 28 de Agosto de 2014, porém a estreia mundial foi em 6 de Novembro de 2013. Confesso que de início não sobre o que era este filme, porém ao ver o trailer do filme pude compreender a conexão da página de Simone de Beauvoir com "Violette". 
     O filme se refere a Violette Leduc, uma escritora francesa próxima a Simone de Beauvoir que sofreu censura em seus livros por conter conteúdo erótico de homossexualidade feminina. Aparentemente o que dá para entender com o trailer é que irão trabalhar com a representação da escritora Violette e a ambientação do qual ela produziu suas obras.


      Após adorar saber desta descoberta de uma nova autora próxima de muitos autores que admiro e gosto, como: Jean Paul Sartre, e a Simone de Beauvoir. Tive interesse de ler obras de Violette Leduc para que minhas impressões não ficassem presas ao que conheço de Beauvoir e Sartre e apenas encontrei dois livros em português que são: "A Bastarda" que foi publicado em 1964, que segundo um site diz que foi "publicado no Brasil inicialmente na década de 60, o livro foi reeditado nos anos 80. Hoje encontra-se fora de catálogo, só podendo ser encontrado em sebos."; e o livro "Teresa e Isabel" publicado em 1966 que pelo que entendi fazia parte do livro "Destroços" que contava com "três experiências amorosas e sexuais" entre elas: "a paixão por Isabel, o relacionamento com Denise, o encontro com Jacques Mercier, com quem foi casada por um breve período que terminou com sua tentativa de suicídio e um aborto. Os editores consideraram demasiado chocante a parte inicial (seu envolvimento com Isabel) e recusaram o manuscrito. Mutilado, o livro foi reescrito inúmeras vezes ao longo de 6 anos até ser aceito pela editora (não sem diversos cortes) em 1955." Não sei até que ponto estas informações se relacionam a biografia de Violette ou como sua escrita efetivamente aconteceu, porém outra questão que acho necessária de levantarmos com a vinda deste filme ao Brasil que é: Por quê não houveram outras publicações no Brasil desta autora? Vejo um vazio de representatividade de autores que falam sobre a questão de gênero/sexualidade que saiam do posicionamento heterossexual. Acredito que hoje exista mais livros sobre estas representações, mas ainda vejo um conservadorístico incrustado na política brasileira que impede o livre-arbítrio e direitos humanos de cada pessoa. Um exemplo que mostra ainda este conservador de política é o discurso de Jair Bolsonaro sobre as pessoas que não são heterossexuais.



  A discussão não vai ser finalizada aqui. Acredito que este pensamento conservador impede o direito do outro de viver sua vida e usufrui-la. Acho importantíssimo esta discussão não só por grupos LGBTTT, mas a sociedade em geral, pois apesar de muitos pensarem que questões de direitos humanos incluírem a todos, a realidade é outra. Exemplo disto, o direito de voto e direitos civis da mulher só foi conquistado no século XX. Imaginem que a conquista de direitos humanos para quem é marginalizado e inferiorizado é bem mais complicada de ser obtida e respeitada.

   Desejo com este post que as pessoas que gostassem ou que se interessaram pela temática deem espaço a leituras que ampliassem  a visão sobre a diversidade de gênero. Além de indicar este filme que fez eu me interessar em postar sobre este assunto. Desejo ler livros desta autora e outros sobre discussões de gênero pela literatura e pelas artes. Se alguém tiver alguma indicação, por favor compartilhe nos comentários. Eu irei gostar muito de ter outras leituras sobre este assunto.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"Sailor Moon" 2 e 3, de Naoko Takeuchi


      Este post vem para recuperar o tempo que deixei de falar de Sailor Moon, pois queria fazer algo mais próximo as publicações dos mangás para que as pessoas não desistirem de lerem este mangá por não ter gostado do primeiro mangá desta série de Sailor Moon. Então, comparado do primeiro volume de Sailor Moon, o segundo e o terceiro são bem diferentes.
       Lembrando que os tramas principais de Sailor Moon são sobre a salvação do Reino da Lua e encontrar o cristal de prata. As tramas secundárias são desde a descoberta de novos personagens ao longo dos volumes, tentativas dos integrantes da Black Moon tentando fazer mal aos humanos e Sailors.
      O segundo volume veem com a proposta de discutir coisas que para algumas pessoas acreditaram que não foram explicadas logo do início, assim como: o motivo pelo qual existem as guardiãs de Sailor Moon, o que aconteceu no passado delas para se reencontrarem só agora, quem é Tuxedo Mask (Mamoru). Outra coisa que podemos encontrar neste segundo volume é que a trama secundária não é finalizada no final deste mangá, e sim no 3° volume.do mangá.

    No terceiro volume vemos a trama secundária se desenvolver com mais aventura e relacionando o confronto com as pessoas com a Black Moon. O 3° volume me lembrou o anime Tenchi Muyo! por conectar conflitos de outros planetas/espaço e de seres que não são do planeta Terra comporem a trama secundária e principal. 

  Para quem estava esperando para saber onde estaria o cristal de prata, neste volume descobrimos enfim onde ele se escondia. Acreditem valem a pena ver a cena que é bem bonita e repleta de emoção.
    Acredito que o segundo volume é bem mais romântico do que o primeiro e que ao longo dos volumes vem ganhando mais espaço para as aventuras. 
   Bem, neste post coloquei dois dos mangás, mas os próximos sobre Sailor Moon farei um individual por volume. Li até agora quinto volume e digo que cada vez mais interessante a trama. Pretendo em breve postar sobre o volume 4 e 5.
Desejo a todos ótimas leituras! 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

"Maus", de Art Spiegelman



"Maus" é um quadrinho que carrega muitos sentimentos fortes, pois conta através da vivência de Vladek, um judeu que morava na Polônia que conta a seu filho Artie sobre a história da vida dele antes e durante a 2° Guerra Mundial. O quadrinho é divido em duas partes o antes da 2° Guerra Mundial e no outro o durante a guerra. O método que o autor usou  foi através de entrevistas de seu próprio pai para fazer esta obra. Então, nós temos partes que ambientam os dias das entrevistas e assim conseguimos traçar o que houve com Vladek ao longo do tempo. 

Aqui respondo como encontramos Vladek no período em que foi entrevistado, ele se tornou alguém que demonstra o sofrimento de perdas de conhecidos, familiares e amigos. Ele, depois de ter sobrevivido ao campo de concentração, que se apegou a tudo que lhe restou, assim como objetos sem utilizadade que foram guardados em sua casa. Vemos Artie fazendo um processo de que em História chamamos de História Oral que é afiliada a História do Tempo Presente onde a fonte de estudo são entrevistas. Mesmo sendo tempo mais recente, como se lida com pessoas, memórias e ponto de vistas não se tem algo imparcial. 


Nestas tirinhas que mostro acima possui esta discussão:

Vladek: -"Mas isso que acabo de contar, sobre Lucia e eu, eu não quer que você escreva na sua livro."
Artie: -"Quê? e por que não?"
Vladek: -"Não tem nada a ver com Hitler, com holocausto!"
Artie: -"Mas, taí, é um ótimo material para o livro deixa tudo mais real, mais humano. Quero contar a sua história, do jeito que aconteceu."

         O trecho acima é recorrente vermos nas entrevista de história oral pessoas contarem outras coisas além do que o entrevistador deseja, mas não devemos impedir a pessoa de nos contarmos outros assuntos, devemos orientá-los com perguntar para mostra o que queremos saber sobre suas lembranças. 
          Outro ponto que podemos abordar com este trecho questionarmos sobre o propósito da biografia e se isto seria uma biografia realmente, pois ele diz que pretende tornar mais "real", mas como literatura não tem compromisso algum com a realidade, Art Spiegelman pode bem não estar contanto "a verdade". Desta forma, parte ou muito pode ser criação do próprio autor.
          Tirando esta teoria de talvez seja apenas uma ficção, vemos a preocupação do autor de transmitir os sentimentos do Vladek nas entrevistas, assim como:

Este cansaço, esgotamento emocional e mal-estar que Vladek demonstrava pelos seus sentimentos de medo e pesar pelo futuro que o aguardava durante a 2° Guerra Mundial, e mesmo depois de ter se mudado para os Estados Unidos ele temia o retorno de ser perseguido. Num trecho em que Vladek conversa com seu filho que demonstra isto em palavras:

Vladek: -"Nunca senti culpa por causa do Richieu, mas tinha pesadelos com homens da SS invadindo minha classe e levando todas as crianças judias."
Vladek: -"Não me entende mal, eu não era obcecado por essas coisas... só que ás vezes imaginava que tinha zyklon B saindo do chuveiro lá de casa, e não água.”

Este trecho mostra o medo constante e o trauma que não foi superado. Daí, nós encontramos as emoções que citei, porque Vladek passou por campo de concentração, fuga para que não fosse pego pelos nazistas e em tudo isto englobava sofrimento e tristeza. Antes da guerra o pai de Artie tinha conhecido sua mãe (Anja) que junto de seu pai passam por este período e situações ruins por um preconceito religioso. Porém vemos que o próprio Vladek quando mais velho foi preconceituoso com uma pessoa por ser de um tipo físico. Pontuando que até que ponto a pessoa que sofreu preconceito a ponto de ser preso para morrer pode ser injusto com outro por simplesmente ser diferente e possuir um preconceito que atribui se a pessoa é boa ou ruim.
Isto me lembra de um trecho onde Vladek foi convocado e por medo atirou sem parar em um soldado alemão que pedia ajuda por estar ferido. A questão de instinto de sobrevivência vinculado ao medo fez como que ele matasse um soldado ferido por desejar sobreviver. Porém no caso que relatei acima onde ele foi preconceituoso com quem não fez nada de ruim a ele e mesmo assim julgá-lo como ruim. Vejo nisto, como a banalização da violência gratuita que desumaniza os seres vivos que busca ver no outro uma imagem ruim por serem diferenças ou pelo sexo, ou pela sua cor, ou pela sua crença espiritual/religiosa, ou seus gostos. Acredito que independente das particularidades de cada ser vivo creio que por sermos seres vivos devemos vermos como iguais, todos tem momentos alegrias, medos, dificuldades, tristeza e raiva, mas porque nossas diferenças devem nos odiarmos a ponto de desejar algo ruim a pessoa? Até que ponto a argumentação do preconceito pode tornar seres vivos de um grupo inferior ou melhor do que o outro?
            Estas questões podem ser conectadas com um acontecimento atual sobre um discurso de superioridade e inferioridade que no caso Israel e Palestina se inversão de papéis de oprimido para opressor onde judeu israelense está dominando território da Palestina e matando o povo palestino. Justo este os judeus que foram perseguidos e não tinham uma relação de identidade nacional, mas religiosa está massacrando outro povo que cedeu território para eles viverem e fazerem seu próprio país. Aqueles que foram diferenciados e julgados por sua religião não deveria cometer tal desumanidade contra os outros. Só fiz tais comentários e conexões, pois se banalizou tanto o assunto da violência que naturalizamos a violência ao outro. Vejo o quanto de documentários, filmes e livros falarem sobre a 2° Guerra Mundial que parece que ao longo da História passada e presente não existiu e existe esta banalização da violência ao outro.  
Voltando ao livro, vejo que o autor soube articular muito bem a união da história oral e buscar compor uma biografia. Mesmo se esteja uma ficção por completo ou parcialmente, acreditamos que a busca de fazer homenagem a seu pai é o importante na obra. O foco dele é de conectar o sofrimento destes que sofreram perseguição e mortos pelo preconceito e violência do governo nazista efetuado sobre eles. Estas lembranças e vivências que os pais do autor passaram e que ele só ouvir falar. A transmissão das memórias e sofrimentos das pessoas que passaram por tal violência tendem a se fechar e como Vladek se endureceu como forma de sobreviver a dor e lutar para continuar vivendo ou sobrevivendo.