domingo, 22 de junho de 2014

Penny Dreadful (Série)

  "Penny Dreadful" estreou em 11 de maio nos EUA. No Brasil, a série estreou no dia 13 de Junho no canal pago HBO. Está série tem como ambientação da Inglaterra no final do século XIX que mistura literatura (como, por exemplo, O retrato de Dorian Gray, Drácula e Frankenstein) e fatos verídicos (como, as mortes feitas pelo Jack, the Ripper). A série possui como elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothhy Dalton, Harry Treadaway, Reeve Carney, Billie Piper, Danny Sapani e Rory Kinnear.
   Achei interessante divulgar a série, pois acredito que outras pessoas iriam se interessar, pois nela discute assuntos cruciais para entender a industrialização, a modernidade e imperalismo/darwinismo social. A série, no meu ver, usa a suspensão da realidade para que o juízo de valor dos expectadores  aceitem melhor assuntos mal-entendidos no século XIX, como a marginalização, a escravidão, a criminalização, e a "loucura" feminina. "Penny Dreadful" traz personagens literários (Victor Frankenstein, Proteus, Caliban, Dorian Gray, Mina) para compreender a composição destes maginalizados que estão representados na literatura e na série une estes numa Londres obscura, misteriosa e perigosa. 
   A Londres que a série busca representar é uma cidade que oferecia sensações embriagadoras ou debilitantes aos indivíduos onde os ruídos e os odores, junto ao constante nevoeiro na cidade geravam todos os medos e escondia seus crimes, “disfarce possível para todas as violências revolucionárias” [1], e o processo de crise econômica em 1886-1887. “O incômodo causado pelos mendigos e pelos vagabundos isoladamente só se vê suplantado pelo medo deles em multidão” [2]. A pobreza era frequentemente ligada ao vício, à preguiça e “(...) aos excessos: daí uma grande rigidez quando se tratava de ajudar os carentes, um intervencionismo social dos mais moderados, uma caridade limitada a casos individuais. Com a repulsa ao vício, toca-se no grande tabu vitoriano: o sexo, e consequentemente, em um valor fundamental, a família”  [3].
   Recomendo a série para quem gosta de literatura ultra-romântica, literatura fantástica (principalmente, grotesco e gótico), e de decadentismo. Quem já viu a série ou se interessou por favor vamos conversar mais sobre as impressões sobre a série.
   Além do mais, quem sabe isto tudo gere uma leitura compartilhada dos livros que a série representou um de seus personagens, como: O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), A tempestade (William Shakespeare), Frankenstein (Mary Shelley), talvez até O fantasma da Ópera (Gaton Leroux).



[1] CHARLOT, Mônica; MARX, Roland. Londres, 1851-1901: A era Vitoriana ou o triunfo das desigualdades. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993, p. 15
[2]  BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. [10. reimp.]. São Paulo: Brasiliense, 2004. v. 52. p.39
[3] CHARLOT, Mônica; MARX, Roland. Londres, 1851-1901: A era Vitoriana ou o triunfo das desigualdades. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993, p. 16.

"A Desobediência Civil" de Henry David Thoreau/ Retorno depois de...2 meses



    Peço desculpas por não ter postado por 2 meses, mas estive realmente lotada de coisas para fazer e eu só pude postar agora. Então vamos a resenha...
    Bem, eu tinha ouvido falar do Thoreau através do filme "Na Natureza Selvagem",  dirigido por Sean Penn, do qual Christopher McCandless (personagem principal) depois da faculdade decide largar do conforto e viajar em busca de sua liberdade. Christopher tem como escritores que o inspira Jack London, Leo Tolstoi, William Henry Davies e Henry David Thoreau. 
     Este livro foi publicado em 1849, porém aparenta ter resquícios da discussão sobre a Independência do Estados Unidos (1783), a "Marcha o Oeste" e início sobre a discussão de trabalho forçado que ilustrou a Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão (1861-1865). Sei que todos estes dados para um leigo parece apenas nomes e datas, mas isto significa muito por baixo deste contexto. Pois a Independência do Estados Unidos foi adquirida com ajuda da França contra o Grã-Bretanha, pensando que a Grã-Bretanha a tinha as 13 colônias da América há serviço da coroa inglesa, pois não era considerado estas colônias independentes, então deviam pagar taxas para vender, e deviam importar seus produtos para própria Grã-Bretanha como forma de favor de usarem terras da Coroa. Assim, Grã-Bretanha e França sempre tiveram ao longo da História brigas, deste modo, a França viu que uma forma de prejudicar sua rival era ajudar na emancipação do território de uma colônia de sua rival. A França conseguiu ajudar as 13 colônias em tornarem "independentes". Porém, a França gastou tantos recursos a ponto de não conseguir meios para barrar a "Revolução Francesa" (1789) que tirou o poder monárquico em busca em trazer os direitos civis aos "homens" (digo em aspas, pois isto não instituiu a igualdade plena, mas apenas aqueles que tinham dinheiro e que eram homens) que foi uma cópia da constituição dos Estados Unidos.
     Vendo que este contexto, pensando que houve uma emancipação das terras das 13 colônias, normalmente se encontra uma historiografia sobre os Estados Unidos muito romantizada ao ponto de virar uma narrativa do povo heróico e libertador. Diferente desta historiografia, Thoreau diz que "(...) o país invadido não é o nosso, mas é nosso o exército invasor" (p. 15). O reflete que antes de haver 13 colônias e Estados Unidos estas terras existiam povos que lá moravam antes. Além trazendo a discussão sobre os direitos que a Constituição traz a este novo país que "A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio de seu respeito por ela, mesmo, os mais bem-intencionados transformam-se diariamente em agentes da injustiça" (p.11) questionando que justiça está posta e que intenções estes possuem. A questão da justiça que Thoreau defende neste livro ao falar que "Este povo deve deixar de ter escravos e de fazer guerra ao México mesmo que isso lhe custe sua existência como povo." (p. 16-17) que hoje podemos ver isto como uma questão de direitos humanos e civis. 

     Existe até uma charge feita em 27 de Agosto de 1864 que um jornal inglês mostra o posicionamento da Coroa inglesa, representada pela Britania (que parece com a Deusa Atena) dizendo a Columbia (representada como índia): "Irmã, querida Columbia, quando isto vai acabar!" que ironicamente aponta por um esqueleto que segura a bandeira atual do Estados Unidos que era a representação os confederados (união das colônias do norte) na época da Guerra Civil. Esta imagem tem como título "A dança da morte", mostrando uma ironia onde os esqueletos estão invadindo espaço da Columbia (indígena). Assim podemos traçar um paralelo da discussão de independência, expansão do território com a discurso de Thoreau que visa explicitar o papel de invasor,  e não de libertador dos povo que proclamou independência do Estado Unidos com a imagem acima.
     Além deste questões, Thoreau provoca aqueles que não praticam o que dizem quando se opõem a escravidão: 
     "Existem milhares de pessoas que se opõem teoricamente à  escravidão e à guerra, e que, no entanto. efetivamente nada fazem para dar-lhes um fim que, considerando-se filhos de Washington e Franklin, sentam-se com as mãos nos bolsos e dizem não saber o que fazer, e nada fazem, que chegam a postergar a questão da liberdade em nome da questão de livre comércio, e, serenamente após o jantar, leem as listas com as cotações de preços junto com as últimas notícias do México possivelmente dormindo sobre ambos." (p. 18)
     Todas estas discussões compõem no fechamento que Thoreau defende neste livo que é sobre a questão de não haver uma necessidade de um governo, pois ele acredita que o abuso do poder e a perversão do governo pode impedir que tal realmente representar o povo e busque o bem e desenvolvimento desta comunidade. Então, ele diz que o "melhor governo é o que absolutamente não governa" (p. 7). Pois, ele acredita que um Estado jamais será "livre e esclarecido até que este venha a reconhecer o indivíduo como um poder mais alto e independente, do qual deveria todo seu próprio poder e autoridade, (...) um Estado que, afinal, possa permitir-se ser justo com todos os homens e tratar semelhante; que consiga até mesmo não achar incompatível com sua própria paz o fato de uns poucos viverem à parte dele, sem intrometer-se com ele, sem serem abarcados por ele, e que cumpram todos os seus deveres como homens e cidadãos.” (p. 57)