sábado, 1 de março de 2014

Leituras Compartilhadas/Encontro de xícaras de "O quarto de Jacob" de Virginia Woolf - parte 1

    Bem, como o proposto vou falar das minhas impressões dos 7 capítulos do livro "O quarto de Jacob". Não pretendo dar "spoilers", mas pretendo transmitir o que li e o que senti do livro. Lá vai...

    Acho que o livro já me ganhou desde início quando falou "Brotando lentamente do bico da sua pena de ouro, a pálida tinta azul dissolveu o ponto final; pois sua caneta parou ali; seus olhos tornaram-se fixos, lágrimas inundaram-nos devagar." (p.15) Esta alegoria sinestésica de unir o azul da pena, tristeza em forma de lágrimas e o mar no qual é indicada sua proximidade ao longo deste primeiro capítulo. O elemento da água é muito presente na história o que acredito ser uma transmissão de sensações e emoções.
    Até então, o título era apenas uma incógnita para mim. Porém ao longo da articulação da história vemos Jacob se destacar no desenvolver da história. A princípio, Jacob é apenas um nome que apareceu na primeira página, mas isto não deixou margem de compreendermos quem era ele. Jacob era apenas o menino que não queria brincar. Após isso, vemos que Jacob não é filho único de Betty Flanders. A senhora Flanders tinha três filhos e Jacob era o filho do meio. Assim, encontramos pistas sobre Jacob, por exemplo, quando os irmãos escolhem coisas do gabinete do Senhor Floyd aos poucos desvendamos quem era ele. O trecho que apresenta os gostos de Jacob é quando: "Archer escolheu um cortador de papel, porque não gostava de escolher coisas boas demais; Jacob escolheu as obras completas de Byron em um volume; John, ainda muito jovem para uma escolha apropriada, optou pelo gatinho de Sr. Floyd (...)". (p.34) Neste trecho é possível ver uma comparação no modo de pensar dos irmãos Flanders. Archer querendo ser educado, enquanto Jacob escolhendo o autor que gostava e John por não saber o que escolher no gabinete decide escolher o gatinho. 
       O interesse de Jacob pelo autor Byron, intrigou e animou-me ao saber mais sobre este menino tão calado que a mãe tanto se preocupa. Vemos que a idade dele é de 19 anos e assim com ele a paisagem se entristece junto a sua mãe que vê o rompimento do cordão umbilical ao seu filho ir para Universidade. Jacob aparece outro, porém eu questiono se há uma mudança de pensar/personalidade ou um pouco de quem ele já era internamente. Na Universidade, ele continua a mostrar seus gostos literários, com é apontado em uma cena:

"O quarto de Jacob tinha uma mesa redonda e duas cadeiras baixas. Havia lírios amarelos numa jarra sobre a lareira; uma fotografia de sua mãe; cartões de diversas sociedades com pequenas meia-luas, brasões, iniciais; bilhetes e cachimbos; sobre a mesa, papel pautado com margem vermelha - sem dúvida, uma dissertação: "A História em biografias de grandes homens?". Mais havia muitos livros; poucos franceses; qualquer pessoa de algum valor lê apenas o que aprecia, conforme seu estado de alma, com imenso entusiasmo. Vida do Duque Wellington, por exemplo; Spinoza; as obras de Dickens; o Faery Queen; um dicionário de grego com pétalas de  papoulas comprimidas em seda nas páginas; todos os elisabetanos." (p.57)

         O quarto de Jacob mostra todo que pertence a ele e seu mundo. Neste lugar fica perceptível ver o que importava a ele. O seu gosto literário não fica apenas nos livros, pois Jacob mostra-se uma pessoa que questiona os valores da sociedade e a necessidade de ser "cavalheiro" (quer dizer, rico para se casar), contrapondo com Keats que não era rico, porém um poeta. Junto a Keats vemos algo importante que se relaciona com o movimento romântico. O movimento romântico busca o retorno dos gregos por uma interpretação romântica e Jacob demostra interesse por estes gregos, mas se aproxima muito mais de uma interpretação romântica. Junto a isto, Jacob se opõe aos cânones como Shakespeare, pois em países de língua inglesa, a importância de Shakespeare equivale ao Machado de Assis aqui no Brasil. Vejo o rapaz muito inquieto internamente e muito silencioso externamente. O que parece um enigma do que irá ocorrer nos próximos capítulos. Espero ansiosamente pelo desenrolar da história, pois o que era uma leitura compartilhada virou uma grande admiração pela construção e uso de palavras e enredo de Virginia Woolf. Espero que o livro continue a ser interessante e decifrador de uma alma romântica e inquieta. 

      Agora espero pelas impressões de:


- Cíntia G.  

6 comentários:

  1. Oi Jéssica,
    ainda não terminei e suas primeiras impressões me deram mais vontade de ler ainda. Ainda não vou dialogar, mas já deixo claro que amo Virginia desde Orlando e estou apaixonada pelo O quarto de Jacob. Beijos!
    www.viagensesquizofrenicasalua.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Lua, Eu acho lindo seu nome!
      Que bom que gostou e interessei mais você a ler este livro! Estou esperando ansiosamente pelas suas impressões. Nunca li Orlando, mas se for gosto e interessante como O quarto de Jacob irei lê-lo logo logo. Espero que saboreie cada página e estou muito interessada no que achou e achará do livro.
      Tenha ótimas leituras!
      Beijo!

      Excluir
  2. Olá, Jéssica
    Conheci seu blog através da Juliana Brina e gostei muito. Vou acompanhar.
    Curti muito seu texto sobre o livro da Woolf. Confesso que ainda conheço pouco dela, mas amei o que li. Esse entrou para a fila.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Michelle,
      Obrigada por acompanhar o blog. Ele é tão pequeno ainda mais quero compartilhar minhas experiências de leituras e ler mais Virgínia Woolf, pois passei a amar mais e mais suas obras. Se tiver interesse de compartilhar suas leituras e impressões ficarei muito feliz.
      Beijos.

      Excluir
  3. Ei, Jéssica! Concordo com você sobre o fato de o elemento água permear a história, e sobre Jacob ser inquieto por dentro e silencioso por fora. Uma coisa que tenho gostado no romance é o fato de que conhecemos Jacob por perspectivas diversas. E a escrita da V.W. sempre me encanta :-)
    Beijos!
    Juliana, o pintassilgo ;-)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ju, o efeito da água presente na história faz tudo ser mais sinestésico, pois Jacob pouco fala na primeira parte. Concordo, que outras vozes faz com que conhecemos Jacob, mas ele nunca é o mesmo. Virginia Woolf com esta obra me fez querer buscar mais livros dela e ler mais suas obras.
      Muito Obrigada por sugerir esta obra! Foi algo maravilhoso lê-la!
      Beijos,
      Jéssica

      Excluir