segunda-feira, 31 de março de 2014

Leituras Compartilhadas/Encontro de xícaras de "O quarto de Jacob" de Virginia Woolf - parte 2

Difícil descrever esta segunda parte do livro, pois o final aparentemente inacabado me deixou com vontade de ler mais sobre a história. Senti-me órfã do livro logo que o acabei. O mistério de quem era Jacob não ficou preso aos primeiros sete capítulos, mas sim em todo o livro. Sabemos através de vários personagens quem foi Jacob ao longo de sua vida relatada no livro. A Juliana Brina, do blog O pintassilgo, já tinha pontuado isto no comentário do meu primeiro post sobre O quarto de Jacob. Além da transformação de quem era Jacob, o livro relata na segunda parte um contexto político internacional. A constituição da Irlanda e busca de independência desta e da Índia que estavam sobre domínio inglês.
Através da leitura encontrei uma transformação dos cenários que Jacob passava, pois antes ele ficava em Cambridge e na cidade de sua família, já na segunda parte, ele passa por Londres, uma biblioteca, Paris e Atenas. Assim como seu cenário muda e os anos se passam Jacob muda. Um exemplo disto é quando vemos Jacob que antes repudiava Shakespeare por ser cânone, agora na página 152 vemos que ele não mais o repudia. Pensei que talvez ele o rejeitou primeiro por ser cânone e de extrema importância para literatura inglesa e a faculdade. Porém após este período o reencontra não mais como o pedante clássico canônico, mas algo que fica junto “as vozes” de seu quarto. Jacob sempre preferia a literatura grega até vejo que parte do conflito de sentimentos amorosos fazem parte de seu conflito filosófico.
A impressão de quem era Jacob nem sempre era agradável a todos, mas por sua maioria agradava as mulheres. O que me intriga o fato de ele ser muito descrito por mulheres ao seu redor. Estas conseguiria formar uma imagem de quem era Jacob?
Assim como seu gosto pela leitura não cessava, mas não parece ser mais um ponto tão importante na descrição. Jacob assim como na primeira parte (primeiros sete capítulos) aparece na segunda parte (do oitavo ao décimo quarto capítulo) Jacob aparece introspectivo, mas ao decorrer ele vai desaparecendo dos espaços que frequentava. Assim, como ele desaparece para as pessoas que o quer bem.

O final do livro é misterioso assim como o começo desta história. Este final, fez-me refletir sobre as pessoas que não são as mesmas todos os dias, mas nem por isto são chamadas por outros nomes. Entretanto, a busca em conhecer alguém ao longo da vida desta pessoa nunca é completa, pois suas vivências, pensamentos e sonhos mudam assim como o céu muda de cor e de aspecto.
Achei uma experiência maravilhosa ler um livro no qual não tinha expectativas. O que me causou a fascinação pelo enredo e pela escrita de Virginia Woolf. 
Espero ver as impressões de outras pessoas sobre o livro e quero muito trocar figurinhas para saber o que acharam do fim deste livro.

Participantes desta leitura compartilhada são:
- Cíntia G.  

segunda-feira, 10 de março de 2014

Tag: Minha história de leitura

1 - Com quantos anos você aprendeu a ler?



Bem, como eu não lembro com quantos anos exatamente comecei a ler, então vou responder que foi for volta dos 4 anos, pois lembro que o primeiro livro que li foi "Dia e Noite" de  Eliardo França e  Mary França. Eu gostei tanto deste livro que o levava para todo o canto onde eu ia.





2 - Você se lembra de algo do seu processo de alfabetização?


Eu lembro que meus pais compraram a coleção "As mais belas histórias infantis de todos os tempos" da editora Globo que vinha com a fita cassete de cada história da coleção. Esta coleção foi muito importante para minha alfabetização, pois ao mesmo tempo que eu via as palavras eu aprendia seus sons e como era um livro infantil havia imagens que auxiliavam a compreensão. Desta coleção, os meus favoritos eram "A guardadora de gansos" e 'A branca de neve".

Além disto, eu frequentava escolinha e assistia o programa do Castelo Rá-tim-bum como a Olivia do canal  Biblioconto.

3 - Quem (ou o que) te incentivou a ler?

Acredito que fui incentivada mais pelo meu pai, minha mãe e meu avô paterno. Quando eu tinha uns nove ou dez anos, lembro nas férias que passava no quintal junto ao meu pai que ficávamos sentados lendo. O meu pai colocava as cadeiras próximo a uma mesinha que ele deixava várias sugestões de livros para mim, já que a estante de livros fica no alto. Assim, eu conheci um dos meus livros favoritos, que é "Cânticos" de Cecília Meireles. Já minha mãe, ela sempre ia a feira de domingo e ela me comprava um gibi que eu quisesse, o que eu normalmente escolhia era o gibi da Magali da Turma da Mônica. 

O meu avô paterno sempre quando passava um tempo com ele me incentivava a ler algo. Ou ele me levava a banca quando ele comprava o jornal e me comprava um gibi ou ele dava a seção das crianças do Diário do Grande ABC ou ele pegava um livro da biblioteca dele e me dava.

4 - De que livros da sua infância você se lembra?


Os livros que li (e lembro disto) foram "Dia e Noite" de Eliardo França e  Mary França; coleção "As mais belas histórias infantis de todos os tempos"; "Cachinhos Dourados"; "As reinações de Narizinho" de Monteiro Lobato; coleção de "Clássicos Favoritos da Disney"; livro "Um Tesouro de Contos de Fadas"; "Pollyanna" de Eleanor H. Porter; quadrinhos da Magali e no fim da minha infância li "Cânticos" de Cecília Meireles, "Odisséia"  e "Ilíada" de Homero.


5 - Quando você começou a frequentar bibliotecas?


Eu ia muito a biblioteca que tinha na minha casa porque eu achava fascinante aquela estante gigante que ficava no escritório do meu pai. Eu o observava e tentava pegar algum livro que estava na estante. Porém, na 1° série com 7 anos, eu passei a frequentar a biblioteca da escola que estudava.


6 - Quando você começou a comprar livros?


Eu comecei a comprar livros na adolescência, porém eu utilizava ainda o dinheiro dos meus pais. Agora, que estudo na Universidade passei a estagiar e passei a comprar com meu próprio dinheiro os meus livros, o que é algo sempre gratificante poder ter algum livro que você gostou muito ou que deseja conhecer. Porém eu ainda uso muito livros emprestados de bibliotecas tanto bibliotecas públicas quanto de bibliotecas universitárias.



Esta tag foi criada pela Olivia do canal Biblioconto e se alguém quiser fazer esta tag sinta-se tagueado. Eu gostaria muito de saber como foi o início do amante de livros. Por favor, deixe o link da sua resposta.

sábado, 1 de março de 2014

Leituras Compartilhadas/Encontro de xícaras de "O quarto de Jacob" de Virginia Woolf - parte 1

    Bem, como o proposto vou falar das minhas impressões dos 7 capítulos do livro "O quarto de Jacob". Não pretendo dar "spoilers", mas pretendo transmitir o que li e o que senti do livro. Lá vai...

    Acho que o livro já me ganhou desde início quando falou "Brotando lentamente do bico da sua pena de ouro, a pálida tinta azul dissolveu o ponto final; pois sua caneta parou ali; seus olhos tornaram-se fixos, lágrimas inundaram-nos devagar." (p.15) Esta alegoria sinestésica de unir o azul da pena, tristeza em forma de lágrimas e o mar no qual é indicada sua proximidade ao longo deste primeiro capítulo. O elemento da água é muito presente na história o que acredito ser uma transmissão de sensações e emoções.
    Até então, o título era apenas uma incógnita para mim. Porém ao longo da articulação da história vemos Jacob se destacar no desenvolver da história. A princípio, Jacob é apenas um nome que apareceu na primeira página, mas isto não deixou margem de compreendermos quem era ele. Jacob era apenas o menino que não queria brincar. Após isso, vemos que Jacob não é filho único de Betty Flanders. A senhora Flanders tinha três filhos e Jacob era o filho do meio. Assim, encontramos pistas sobre Jacob, por exemplo, quando os irmãos escolhem coisas do gabinete do Senhor Floyd aos poucos desvendamos quem era ele. O trecho que apresenta os gostos de Jacob é quando: "Archer escolheu um cortador de papel, porque não gostava de escolher coisas boas demais; Jacob escolheu as obras completas de Byron em um volume; John, ainda muito jovem para uma escolha apropriada, optou pelo gatinho de Sr. Floyd (...)". (p.34) Neste trecho é possível ver uma comparação no modo de pensar dos irmãos Flanders. Archer querendo ser educado, enquanto Jacob escolhendo o autor que gostava e John por não saber o que escolher no gabinete decide escolher o gatinho. 
       O interesse de Jacob pelo autor Byron, intrigou e animou-me ao saber mais sobre este menino tão calado que a mãe tanto se preocupa. Vemos que a idade dele é de 19 anos e assim com ele a paisagem se entristece junto a sua mãe que vê o rompimento do cordão umbilical ao seu filho ir para Universidade. Jacob aparece outro, porém eu questiono se há uma mudança de pensar/personalidade ou um pouco de quem ele já era internamente. Na Universidade, ele continua a mostrar seus gostos literários, com é apontado em uma cena:

"O quarto de Jacob tinha uma mesa redonda e duas cadeiras baixas. Havia lírios amarelos numa jarra sobre a lareira; uma fotografia de sua mãe; cartões de diversas sociedades com pequenas meia-luas, brasões, iniciais; bilhetes e cachimbos; sobre a mesa, papel pautado com margem vermelha - sem dúvida, uma dissertação: "A História em biografias de grandes homens?". Mais havia muitos livros; poucos franceses; qualquer pessoa de algum valor lê apenas o que aprecia, conforme seu estado de alma, com imenso entusiasmo. Vida do Duque Wellington, por exemplo; Spinoza; as obras de Dickens; o Faery Queen; um dicionário de grego com pétalas de  papoulas comprimidas em seda nas páginas; todos os elisabetanos." (p.57)

         O quarto de Jacob mostra todo que pertence a ele e seu mundo. Neste lugar fica perceptível ver o que importava a ele. O seu gosto literário não fica apenas nos livros, pois Jacob mostra-se uma pessoa que questiona os valores da sociedade e a necessidade de ser "cavalheiro" (quer dizer, rico para se casar), contrapondo com Keats que não era rico, porém um poeta. Junto a Keats vemos algo importante que se relaciona com o movimento romântico. O movimento romântico busca o retorno dos gregos por uma interpretação romântica e Jacob demostra interesse por estes gregos, mas se aproxima muito mais de uma interpretação romântica. Junto a isto, Jacob se opõe aos cânones como Shakespeare, pois em países de língua inglesa, a importância de Shakespeare equivale ao Machado de Assis aqui no Brasil. Vejo o rapaz muito inquieto internamente e muito silencioso externamente. O que parece um enigma do que irá ocorrer nos próximos capítulos. Espero ansiosamente pelo desenrolar da história, pois o que era uma leitura compartilhada virou uma grande admiração pela construção e uso de palavras e enredo de Virginia Woolf. Espero que o livro continue a ser interessante e decifrador de uma alma romântica e inquieta. 

      Agora espero pelas impressões de:


- Cíntia G.