domingo, 2 de fevereiro de 2014

A militância de "Some time in New York City" de John Lennnon e Yoko Ono

John Lennon é conhecido pelo grupo Beatles, mas depois de sair da banda continuou a cantar ou sozinho ou com Yoko Ono que foi sua parceira até fim de sua vida, que tirada por tiros. O LP Some time in New York foi lançado em 12 de Junho de 1972, composto por John Lennon e Yoko Ono. São dois discos de vinis com uma capa parecida à primeira página do jornal New York Times. Como artista, John Lennon acredita que consegue captar os conflitos e os problemas do momento, assim ele e Ono compõem suas músicas para dizer suas opiniões sobre os acontecimentos, como o jornal faz. 
      O primeiro disco possui estas músicas: Woman Is the Nigger Of The World; Sister, o Sister; Attica State; Born in a Prison; New York City; Sunday Bloody Sunday; The Luck of the Irish; John Sinclair; Angela; We´re All Water. Neste disco, as temáticas são sobre feminismo, condições de vida dos prisioneiros, imperialismo britânico sobre os irlandeses e igualdade. 
O segundo disco foi gravado em 6 de Junho de 1971 junto a Frank Zappa durante show no Fillmore East em Nova York para um Jam Session. Este segundo disco está presente às músicas: Cold Turkey; Don´t Worry Kyoko; Well [Baby Please Don´t Go]; Jamrag; Scumbag; Aü.

O LP foi considerado como um fracasso, pois chegou apenas ao 48° lugar nos EUA e 11° na Inglaterra. Este LP foi o mais criticado dentro da crítica musical por seu engajamento e necessidade de falar sobre os conflitos presentes na época. Christgau disse que Lennon arriscou seu carisma ao invés em investi-lo e que a arte engajada de John Lennon é uma arte mal feita, pois não atinge seu público-alvo. Já a revista Rolling Stone disse que foi “incipiente ‘suicídio artístico’ e chamou as letras de ‘desleixadas canções de ninar’.” Outros críticos achavam que houve uma intromissão de Yoko sobre a produção deste LP. Lennon respondeu as críticas dizendo que:
“poderíamos ficar sentados sobre Imagine durante um ano e meio, mas as coisas estavam saindo da nossa cabeça e simplesmente queríamos compartilhar nossos pensamentos com todos aqueles que quisessem ouvir as canções que escrevemos e cantamos são de assuntos sobre os quais nós e a maioria das pessoas costuma falar.” (NORMAN, Philip. John Lennon: a vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.p. 695)
O curioso é que como Lennon aponta em seu comentário acima, ele tinha recebido uma crítica favorável ao seu último LP Imagine (1971) que continuava uma perspectiva pacifista e esperançosa como a faixa-título coloca em forma de música. Imagine ficou entre as primeiras músicas que passavam nos rádios e suas músicas bem vistas pela crítica. A partir o lançamento do novo LP, veem uma crítica e a perseguição do FBI ao John Lennon. O novo álbum foi muito influenciado pelos Yippies e pelas Panteras Negras, pois junto a estes grupos que representavam a nova esquerda nos EUA, Lennon e Ono passaram a acreditar em um novo meio de conseguir a igualdade e os direitos humanos. O 1° disco do Some Time in New York City possui uma temática comum a todas as músicas que é a busca dos direitos humanos. John Lennon ao comentar sobre seu posicionamento perante as necessidades de violência no conflito irlandês, diz que:
“Eu entendo o porquê eles estam fazendo isto, e se for necessário escolher entre IRA ou o exército Britânico, eu preferiria o IRA. Mas se me pedirem para escolher entre violência e não-violência, eu prefiro a não-violência. Então esta é uma linha muito delicada...Nosso apoio ao povo irlandês é feito, realmente, através dos Direitos Civis da Irlanda, que não é o IRA.” (STRACHAN, John; O´MALLEY-YOUNGER, Alison (Edit.). Ireland: Revolution and Evolution. Bern: Peter Lang, 2009. p. 138.)
Os ativistas de movimentos de guerrilha de “gueto”, como o IRA no Ulster, os “Panteras Negras” nos EUA, estes filhos da diáspora dos campos de refugiados, que podem vir em grande parte ou inteiramente das crianças de rua. Eles agem de forma violenta e como John Lennon se aproximando deles e as movimentações abandonavam os principais partidos da esquerda por movimentos de mobilização mais especializados (em defesa do “meio ambiente”, feministas e entre outros), assim enfraquecendo-os. Deste modo, a especificação das lutas dentro da nova esquerda possibilitou que o público-alvo das músicas com assuntos específicos de John Lennon não mais se sentissem representados por elas. Podemos ao mesmo tempo ver a transição do Flower Power influenciado por um movimento hippie e após aproximação aos grupos tidos como “movimentos de guerrilha” que relaciona com uma interpretação sobre a nova esquerda ou pertencente dos Yippies. O público-alvo deste LP visava como atingir aos "vencidos", pois se refere sobre a classe trabalhadora, mulher trabalhadora, criminosos ou criminalizados, e irlandeses que são colonizados pelos ingleses. Este público não tem tanto recursos para consumo de LPs e ir a shows. Porém a produção das músicas foi pensada para estas pessoas. Depois do massacre em plena marcha pelos Direitos Humanos dos irlandeses (em Janeiro de 1972), John Lennon participou de um comício da União de Trabalhadores do Transporte onde cantou para eles sua nova canção sobre os irlandeses.
Desta forma, a crítica Christgau de que John Lennon perdeu seu público e não usou seu carisma, pois seguiu a perspectiva radicalizada dos Yippies. Priorizando o resultado e não a forma pacífica. Mostrando o posicionamento de Christgau em defender o ponto de vista de músicas mais abrangentes e pacifistas. A crítica de Christgau acredita que John Lennon perdeu seu antigo público tanto o dos Beatles quanto a do Flower Power. Ao deixar de ser pacifista fez com a FBI investigue John Lennon e tente até deportá-lo, porém seus fãs se movimentam através abaixo-assinados que impedem sua saída do país. Isto promove o questionamento até que ponto realmente John Lennon perdeu seu público.
Outro ponto que pode ser visto nas críticas é que neste LP se valoriza a letra e como visto pela revista Rolling Stone como revista sobre música esperava algo muito mais agitado em seu ritmo e as melodias melhores construídas. Outros críticos diziam que Yoko Ono fez com que o álbum ficasse ruim pela falta de ritmo e técnica de canto relacionada a música japonesa. Porém a arte engajada neste LP visa à importância da mensagem e, por vezes, a música é simples e feita para protesto. Nestas críticas, o posicionamento quanto ao rock choca-se com entendimento do que é arte para John Lennon, pois o artista captou os conflitos e sentimentos da época. Porém a revista valorizava mais a melodia do que a letra. Porém se fosse o problema com a Yoko, a música dela Woman is the Nigger of the World não seria um single.
Assim as diversas perspectivas que criticam e tentem classificar o LP como ruim, ainda existe controvérsias as críticas e com os fatos em torno do LP. Esta crítica carregada de um cunho ideológico conservador e fechado a uma produção diferente e arte engajada. Lennon ainda tinha um público cativo, independente se posicione a favor de atingir a igualdade de forma agressiva. Podemos ver isto tanto na participação no abaixo-assinado de permanência de John Lennon nos EUA, e em shows a favor dos direitos humanos. A música como arte se metamorfoseia de acordo com o que quer transmitir e nesta época a música se torna cada vez mais versátil e sem padrões. Este álbum expressa a Revolução cultural  e/ou a Revolução sexual onde transforma a estrutura familiar. Esta libertação pessoal e social desmembrou as cadeias do Estado, dos pais e do poder dos vizinhos, da lei e da convenção, esta libertação sexual se afastando de retidão moral e da emoção reprimida dos anos 50. A música passou por rompimentos da forma musical anteriores dentro de um estilo musical. Estas experimentações de novos elementos dentro de um estilo musical refletem esta diversificação, globalização de ideias e de problemas na sociedade. John Lennon e Yoko Ono percebem esta globalização e ampliamento dos problemas sociais e tendências, deste modo, o LP possui uma temática central que é os direitos humanos. O LP relaciona temas específicos que referem a mesma problemática. Esta produção musical queria que estes grupos dos “vencidos” tivessem sua chance de ter seus direitos e assim “nós somos todos água de rios diferentes/ (...) neste vasto, vasto oceano/ (...) nós iremos evaporar juntos/ Qual é a diferença?/ (...) Não há diferença!”. Este trecho da música We´re all water finaliza o 1° disco do LP, e termina mostrando as intenções pelas quais de Lennon e Ono se aproximarem de grupos radicais porque eles buscavam pelos direitos civis e assim a liberdade de pensamento e de sexualidade.

2 comentários:

  1. Imagine, não-violência, Yippes, revolução cultural...os Beatles sempre foram muitos criticados e elogiados. O bom é que continuaram e até hoje são uns lindos ;-)
    Beijos Jéssica, estou acompanhando seu blog! ;-)

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    1. Sim, mas este disco foi muito polêmico em sua época, mas expressa a busca pela igualdade e pelos direitos humanos para todos que até tem muitos problemas para dizermos que existam de forma completa e para todos.
      Muito Obrigada por acompanhar o meu blog!
      Beijos,
      Jéssica.

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