sábado, 22 de fevereiro de 2014

TAG Trinca de Leituras

1 – Quais autores/obras se envergonha de ainda não ter lido? Ou ainda não leu direito?




Albert Camus


Camus, autor argelino que participou do grupo existencialista junto a Sartre e Beauvoir até quando se opuseram suas ideologias durante a Guerra Fria. Ele se contrapôs aos crimes políticos de Stálin. Fico curiosa em ver na sua escrita o desenvolvimento de sua filosofia e opiniões dos acontecimentos de sua época.


Hannah Arendt


Esta autora desenvolveu muitas teorias sobre os conflitos que existiam no século XX. Ela fez a crítica da criação de Israel, mesmo sendo judia. 
Hannah Arendt possui uma riqueza de reflexões que muito me interessa. Todas as vezes que ouço alguém citá-la mais me interesso em ler algo que ela escreveu.         
                

Gabriel García Márquez


Não sou fã de literatura da América Latina não por preconceito, mas sim por nunca ter o contato com este tipo de literatura. Esta literatura onde inúmeras pessoas se encantam pelo realismo mágico do qual não conheço, fez com que eu fique cada vez mais curiosa em me aventurar pela literatura da América Latina. Assim, escolhi Gabriel García Márquez, pois os títulos de suas obras e resenhas feitas sobre suas obras alimentam a minha curiosidade desta literatura até agora misteriosa para mim.

2 - Quais autores/obras "destoam" sua biblioteca de leituras?




Hobbit de J. R. R. Tolkien


Eu não sou leitora de fantasia, mas em busca de algo novo acabei comprando o livro. Ainda não o li, mas pretendo lê-lo ainda neste ano. Gosto de sair do campo de conforto para conhecer novos autores e histórias. Acho que talvez será um bom começo de conhecer o mundo de Tolkien. 



Julie & Julia de Julie Powell
Sei que muitos irão ficar indignados com o que direi a seguir, mas que a verdade seja dita. Comprei este livro depois de ver o filme com o mesmo nome quase 4 vezes. Eu tinha me identificado com a personagem principal e de vezes em quando volto a assistir o filme. Então, eu tomei coragem de comprar para enfim sentir tudo e um pouco mais do que vi no filme, mas ainda não li e temo agora de não ser tão bom quanto o filme. 


3– Quais autores/obras dá um trabalho hercúleo não gostar


O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë


Li este livro quando estava com 16 anos e confesso que foi uma experiência horrível, pois cada vez que avançava na leitura parecia que mais chato. A história ficava com aqueles conflitos amorosos que desgastava o leitor. Infelizmente, tentei mais de uma vez e ainda não consigo gostar deste livro.

O apanhador no campo de centeio de J. D. Salinger

Comprei após uma indicação de uma colega de Universidade e depois vi de um vídeo de impressões sobre o livro. O que me atraiu foi impressões de ambas as pessoas e uma história que ronda este livro sobre a morte de John Lennon. O problema foi que comecei a ler e o livro começou a me irritar. A escrita que busca ser rebelde me incomodou, pois já li um punhado de livros que eram vistos em sua época como rebeldes, mas não precisavam escrever deste jeito enfatizando que era rebelde a cada página. 
Pode ser que seja apenas minha impressão, pois como disse antes tem pessoas que gostaram deste livro. Porém não foi o que aconteceu comigo. 

 Paulo Coelho


Encantei-me pelo Paulo Coelho quando soube que ele compôs  músicas junto ao Raul Seixas e como amava as músicas do Raul Seixas  e todo misticismo em volta dele, então fiquei curiosa em ler algo dele. Li o "Diário de um Mago" e não achei muito bom, mas até ai poderia ser uma obra ruim comparada às outras que ele tinha feito. Então, eu fui ler a "Zahir" e simplesmente percebi que realmente a escrita dele não me agradava, ou, pior, os enredos me incomodavam  com finais sem criatividade e previsíveis.

Blogs que indico esta TAG: O pintassilgo, Dedos inquietos, Estandy Books, Cem Anos de Literatura e quem mais quiser fazer esta tag. 

Eu vi esta tag no O Espanador feita pelo Kalebe. Outras pessoas que responderam esta tag: 

Menezes do blog O Espanador;
Matias do blog O Espanador;
Melissa, do blog De coisas por aí;
Michelle, do blog Resumo da Ópera;
Cristiane, do blog Cafeína Literária;

Leitura Compartilhada ou Encontro de xícaras

    Nesta semana que vem, irei postar a 1° parte da leituras compartilhadas ou como chamarei de Encontro de xícaras. A ideia de compartilhar leituras me empolga para saber quais foram às sensações de leituras das particularidades de cada individuo com um mesmo livro. Acho isto tão poético e sensível, pois se trata de descobertas de um novo universo que se condensa em um livro.
      

Irei participar da leitura do livro "O Quarto de Jacob", de Virginia Woolf que será compartilhada junto a
    
- Cíntia G.   
                          

       Esta leitura será dividida em duas partes. Os primeiros sete capítulos até dia 28 de Fevereiro e a segunda parte até 14 de Março. Isto quer dizer, logo irei postar minhas experiências de leitura em conjunto deste livro. Ao final das leituras compartilhadas postarei um apanhado da experiência e uma resenha deste livro.

         Bem, espero que seja primeira de muitas leituras compartilhadas! 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

" Trafico de mujeres y otros ensayos sobre feminismo" de Emma Goldman

       
      Neste livro são coletados textos escritos por Emma Goldman, sobre questões relacionadas à mulher. Emma não era formada pela faculdade, mas por suas vivências. Então entre os assuntos pontuados por esta russa anarquista foi o papel da mulher, o casamento, o amor livre e o direito de voto.
      Peço ao leitor que não esteja acostumado com opiniões anarquistas não deixe de ler este post por conta de preconceito, pois neste post irá falar sobre uma mulher em busca da liberdade do ser humano, livre-se das amarras morais e do Estado. Emma trabalhou assuntos teoricamente bobos, mas, na realidade, ela vai muito, além disto. Ela escreveu estes textos em 1910 quando a sociedade era ainda muito rígida com a liberdade de expressão e da mulher. Para contextualizar o período, Andrea Nye (1988) diz que:
“As feministas liberais achavam que poderiam corrigir todos esses males através, primeiramente, do voto e, depois, com a legislação, mas Goldman mostrava em "Woman Suffrage" que o voto se havia convertido num fetiche que deveria resolver todos os problemas. Na verdade, o voto só iria piorar as coisas. As mulheres, quer votem ou não, aceitam o que as escraviza: a religião, o lar, a guerra. Portanto, uma mulher votante será apenas uma melhor cristã, dona-de-casa e cidadã, votando para isso. O voto se transformara num novo ídolo para as mulheres adorarem do mesmo modo como adoram deuses masculinos.
O voto da mulher não teria sido progressista, no máximo teria sido reacionário. As votantes feministas tornaram-se meramente "espiãs políticas'' soprando as cometas da decência e da temperança. Não apoiariam a mudança no direito de família, liberdade sexual, separação da igreja e Estado ou partidos políticos. Pelo contrário, teriam apoiado causas humanitárias não-ameaçadoras, tais como prevenção de crueldade a crianças e animais ou ajuda aos deficientes. Poderiam refletir melhor sobre por que havia tantas crianças maltratadas e defeituosas a reabilitar.” (p. 60)
 Desta maneira, a crítica de Emma Goldman, sobre o papel da mulher na sociedade, do qual "desde sempre a maior desgraça da mulher foi ter considerá-la um anjo ou um demônio; sua verdadeira salvação consiste em considerá-la um ser humano, sujeito a todos as tolices e a todos os erros humanos.” (p.69) Emma Goldman vê nesta sociedade onde a mulher é demônio ou anjo, estas concepções de bem e mal estavam unidas a moral e as regras da sociedade. Assim, como parte da lógica da sociedade o casamento era um elemento fundamental na vida da mulher. Emma em busca de romper as amarras da sociedade pulou as barreiras que impedem a liberdade. Para nortear como ela faz isto, ela escreve que:
"O amor, o elemento mais forte e mais profundo da vida, o precursor da esperança, da alegria, do êxtase; o amor, que desafia todas as leis, todas as convenções, o amor; o mais livre, o destino humano, como é possível que esta força totalizadora seja sinônima de matrimônio, essa pobre e mesquinha erva má engendrada pelo Estado e pela Igreja?" (p. 60)
           No trecho acima, vemos o quanto o papel da Igreja e do Estado dava o sentido de moralidade existente na sociedade. O papel da mulher era de submissão do qual não era preciso existir o amor pela pessoa do qual se casa, mas a necessidade de cumprir um contrato social. Emma Goldman em defesa do amor diz que:
"O amor possui o mágico poder de converter o mendigo em rei. (...) Na liberdade se entrega sem reservas, abundante, total. Quando o amor é sua raiz não há leis, nem estatutos, nem tribunais em o universo capazes de arrancá-lo do solo. E sem impedimento, se o solo é estéril, como poderia o matrimônio ser fértil?
É como a última luta desesperada da vida efêmera contra a morte." (p. 60-61)
             Desta forma, Emma Goldman facilmente engloba a questão do amar com o papel da mulher cumpre e deseja possuir em sua vida. Goldman visualiza a movimentação sufragista do qual fazem "mais de sessenta anos que a mulher tem criado uma nova atmosfera. Tem adquirido poder em qualquer dos campos do pensamento e da atividade humana. E todo foi feito sem o sufrágio, sem o direito de elaborar leis, sem o "privilégio" de ser juiz, conselheiro, ou carrasco". (p.83) Como provocação, ela critica a busca das sufragistas do direito de voto feminino, pois ela acredita que:
"O que importa não é a classe de trabalho que realiza, senão a qualidade. E não pode dar ao sufrágio uma qualidade nova, como tampouco pode obter de nada realce sua própria qualidade. Seu desenvolvimento, sua liberdade, sua independência, devem surgir dela mesma. Primeiro, afirmando-se como pessoa e não como mercadoria sexual. Segundo, rejeitando o direito que qualquer um tenha domínio sobre seu corpo, negando-se a produzir filhos, ao menos que os deseje, negando-se a ser a serva de Deus, do Estado, da sociedade, da família, do esposo, etc; fazendo com que sua vida seja mais simples, mas também mais profunda mais rica. É dizer, em busca de aprender o sentido e a substância da vida em todos seus aspectos complexos, liberando-se do temor da opinião e das convicções públicas. Apenas isto, e não ao ato de votar. Haverá uma mulher livre, da qual converterá em força até agora desconhecida no mundo, uma força do verdadeiro amor, paz, harmonia; uma força como um fogo divino, revestido de vida: criador de homens e mulheres livres." (p.83)
            Emma Goldman foi uma das percussoras da liberdade completa de como viver e amar. Ao ponto de chegar a dizer que "O amor não necessita proteção; ele, em si, é a proteção." (p. 61). Assim, finalizo com a música “All you need is love” dos Beatles que mostra a retomada destes pensamentos libertários onde o indivíduo entendem que o amor é a fonte impulsora a cria e gera próprio destino, independente de ser mulher ou homem e sim humanos passiveis a errar e a acertar.  

domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Palavra Cigana" de Florencia Ferrari

Palavra Cigana é um livro que contem seis contos da tradição oral cigana. Florencia Ferrari escolheu contos relacionados aos ciganos do Leste Europeu, esta foi uma escolha que esta antropóloga quis para desmistificar os ciganos até porque sua tese de mestrado chamada “Um olhar obliquo – contribuições para o imaginário ocidental sobre o cigano” busca trabalhar a visão dos não-ciganos sobre esta cultura que não tem nacionalidade ou religião definida. Acho que estes trabalhos cabem como complemento de sua pesquisa acadêmica.
            A desmitificação dos ciganos proposta por Florencia Ferrari veem do princípio de que:

“(...) pouco sabemos sobre esses grupos familiares que levam uma vida nômade, espalhados por quase todos os países do mundo: não fazemos ideia do que eles gostam, do que riem, nem do que respeitam ou não. Foi justamente isto que me fascinou e me levou a estudar os ciganos.” (p. 80)

            Desta maneira, Ferrari busca publicar os contos deles mostrando um novo olhar ao leitor sobre a cultura cigana. Cada conto veem partes da identidade cigana. No primeiro conto mostra a essência nômade da alma cigana, quando um dos personagens diz:

“-Tudo o que um homem pode desejar eu já tenho. Mas depois de viver entre os ciganos, é como se algum espírito inquieto me convidasse para a estrada, a me sentar junto ao fogo e ouvir canções ciganas...” (p.22)

             Já no segundo, terceiro e quarto contos trabalham com uma imagem de ciganos relacionados com a bondade. O trecho que fica nítido isto é: “-Esposa querida, ele é pobre como nós. Se não lhe dermos abrigo, quem dará? Chega de conversa: ele vai dormir aqui.” (p. 38) Mostrando uma bondade pelo outro que também é marginalizado, assim como os ciganos. A cultura cigana apesar de não haver apenas uma tradição que foi perseguida pela história por serem diferentes. Isto fez com que a necessidade de “fugir” fosse mais forte do que ser nômade e ir aonde o vento os levar.
            No quarto conto isto fica até cómico, pois a questão de pagar suas dívidas faz com que:

“No mesmo dia, o cigano defunto saiu do túmulo como um morto-vivo e foi atrás do vendedor que pagara sua dívida. Sem mais explicações, disse a ele:
-Você é uma boa pessoa. Vamos trabalhar juntos e ganhar muito dinheiro.” (p. 52)

            No último conto algo intrigante, porém triste ao pensarmos que São Jorge foi falar com Deus e perguntou “como os ciganos devem viver” e a resposta foi:

“- Diga aos ciganos que vivam por suas próprias leis. Onde mendiguem, onde morrem, onde tomem sem permissão, isso é problema deles. Diga-lhes isso.” (p. 74)

            Todas estas citações mostram um pouco da tradição oral das quais são transmitidos seus valores, seus costumes e suas identidades. A cultura cigana foi alvo de preconceitos que até hoje persistem em os persegui-los. Apesar disto, os ciganos buscam preservar sua cultura e suas tradições independentemente destes problemas. Este livro me fez interessar pela cultura que tão pouco conhecida e que é tanto explorada em filmes, e livros. Um exemplo, que busca comparar o ser nômade do cigano com o dos indígenas é o filme Chocolate dirigido por Lasse Hallström.



 Ferrari faz um trabalho com intenções boas de abrir ao público leitor um mundo diferente e de valores outros, mas o que deixa mais gostoso é sabemos ao final do livro que ela deixou referência de outros livros, música e imagens sobre os ciganos. Deixando assim, um “gostinho de quero mais” ao leitor que se encantou com os contos presentes no livro. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Escolha o seu sonho" de Cecilia Meireles e confissões



     O livro "Escolha o seu Sonho" de Cecília Meireles foi um reencontro com a autora que fez parte de meus dias de pré-adolescência e adolescência onde buscava em seus poemas um conforto de sua beleza através de suas palavras, sonoridade e sentidos. Agora, eu li um livro de crônicas onde não fui esperando a mesma Cecília dos poemas, mas a busca de conhecê-la melhor. Assim, em cada crônica foi um abraço, do qual eu reencontrei sua leveza, sua crítica, sua delicadeza e sua liberdade em todo o livro, o que foi para mim algo muito gostoso.
     Neste livro, Cecília Meireles brinca com as palavras onde habita crônicas que envolvam o seu entendimento de liberdade, incerteza, solidão, o ato de sonhar e ser feliz. Podemos ver que ao mesmo tempo brinca com as palavras e faz sua crítica aos assuntos abordados, como ela deixa explícito na primeira crônica chamada "Liberdade", que:

"Diz-se que o homem nasceu livre, que liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!"; nossos avós cantaram: "Ou ficar a pátria livre/ ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade!/abre as asas sobre nós"; e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/brilhou no céu da pátria..." - em certo instante.
Somos pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposição de cantá-la, amá-la, combater e certamente por ela. 
(...)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes." (p. 9-10)

     Ao mesmo tempo que gosta de criticar, ela também faz confissões como leitora:

"Hoje eu queria ler livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações..." (p.138)

     Além disto, ela mostra sua admiração por Matsuo Bashô, Carlos Queirós,Victor Hugo, Falkner, Mário de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Portinari, Ouro Preto e pelos bem-ti-vis. 

     Perto do fim do livro, eu encontro a crônica que dá nome ao livro "Escolha o seu sonho", do qual ela conecta todas outras crônicas propondo que:

“Devíamos poder preparar os nossos sonhos como os artistas, as suas composições. Com a matéria sutil da noite e da nossa alma, devíamos poder construir essas pequenas obras-primas incomunicáveis, que, ainda menos que a rosa, duram apenas o instante em que vão sendo sonhadas, e logo se apagam sem outro vestígio que a nossa memória.
(...)
Devíamos poder sonhar com as criaturas que nunca vimos e gostaríamos de ter visto: Alexandre, o Grande; São João Batista; o Rei David, a cantar; o Príncipe Gautama...
E sonhar com os que amamos e conhecemos, e estão perto ou longe, vivos ou mortos... Sonhar com eles no seu melhor momento, quando foram mais merecedores do amor imortal...” (p.  143 e 145)

     Não sei bem se a todos que leram este livro foi tão agradável lê-lo, mas digo para quem se interessou não desistir dele logo nas primeiras páginas. Ela transmite seus pensamentos de forma tão sensível na qual será fácil se identificar com algumas confissões dela no livro. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A militância de "Some time in New York City" de John Lennnon e Yoko Ono

John Lennon é conhecido pelo grupo Beatles, mas depois de sair da banda continuou a cantar ou sozinho ou com Yoko Ono que foi sua parceira até fim de sua vida, que tirada por tiros. O LP Some time in New York foi lançado em 12 de Junho de 1972, composto por John Lennon e Yoko Ono. São dois discos de vinis com uma capa parecida à primeira página do jornal New York Times. Como artista, John Lennon acredita que consegue captar os conflitos e os problemas do momento, assim ele e Ono compõem suas músicas para dizer suas opiniões sobre os acontecimentos, como o jornal faz. 
      O primeiro disco possui estas músicas: Woman Is the Nigger Of The World; Sister, o Sister; Attica State; Born in a Prison; New York City; Sunday Bloody Sunday; The Luck of the Irish; John Sinclair; Angela; We´re All Water. Neste disco, as temáticas são sobre feminismo, condições de vida dos prisioneiros, imperialismo britânico sobre os irlandeses e igualdade. 
O segundo disco foi gravado em 6 de Junho de 1971 junto a Frank Zappa durante show no Fillmore East em Nova York para um Jam Session. Este segundo disco está presente às músicas: Cold Turkey; Don´t Worry Kyoko; Well [Baby Please Don´t Go]; Jamrag; Scumbag; Aü.

O LP foi considerado como um fracasso, pois chegou apenas ao 48° lugar nos EUA e 11° na Inglaterra. Este LP foi o mais criticado dentro da crítica musical por seu engajamento e necessidade de falar sobre os conflitos presentes na época. Christgau disse que Lennon arriscou seu carisma ao invés em investi-lo e que a arte engajada de John Lennon é uma arte mal feita, pois não atinge seu público-alvo. Já a revista Rolling Stone disse que foi “incipiente ‘suicídio artístico’ e chamou as letras de ‘desleixadas canções de ninar’.” Outros críticos achavam que houve uma intromissão de Yoko sobre a produção deste LP. Lennon respondeu as críticas dizendo que:
“poderíamos ficar sentados sobre Imagine durante um ano e meio, mas as coisas estavam saindo da nossa cabeça e simplesmente queríamos compartilhar nossos pensamentos com todos aqueles que quisessem ouvir as canções que escrevemos e cantamos são de assuntos sobre os quais nós e a maioria das pessoas costuma falar.” (NORMAN, Philip. John Lennon: a vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.p. 695)
O curioso é que como Lennon aponta em seu comentário acima, ele tinha recebido uma crítica favorável ao seu último LP Imagine (1971) que continuava uma perspectiva pacifista e esperançosa como a faixa-título coloca em forma de música. Imagine ficou entre as primeiras músicas que passavam nos rádios e suas músicas bem vistas pela crítica. A partir o lançamento do novo LP, veem uma crítica e a perseguição do FBI ao John Lennon. O novo álbum foi muito influenciado pelos Yippies e pelas Panteras Negras, pois junto a estes grupos que representavam a nova esquerda nos EUA, Lennon e Ono passaram a acreditar em um novo meio de conseguir a igualdade e os direitos humanos. O 1° disco do Some Time in New York City possui uma temática comum a todas as músicas que é a busca dos direitos humanos. John Lennon ao comentar sobre seu posicionamento perante as necessidades de violência no conflito irlandês, diz que:
“Eu entendo o porquê eles estam fazendo isto, e se for necessário escolher entre IRA ou o exército Britânico, eu preferiria o IRA. Mas se me pedirem para escolher entre violência e não-violência, eu prefiro a não-violência. Então esta é uma linha muito delicada...Nosso apoio ao povo irlandês é feito, realmente, através dos Direitos Civis da Irlanda, que não é o IRA.” (STRACHAN, John; O´MALLEY-YOUNGER, Alison (Edit.). Ireland: Revolution and Evolution. Bern: Peter Lang, 2009. p. 138.)
Os ativistas de movimentos de guerrilha de “gueto”, como o IRA no Ulster, os “Panteras Negras” nos EUA, estes filhos da diáspora dos campos de refugiados, que podem vir em grande parte ou inteiramente das crianças de rua. Eles agem de forma violenta e como John Lennon se aproximando deles e as movimentações abandonavam os principais partidos da esquerda por movimentos de mobilização mais especializados (em defesa do “meio ambiente”, feministas e entre outros), assim enfraquecendo-os. Deste modo, a especificação das lutas dentro da nova esquerda possibilitou que o público-alvo das músicas com assuntos específicos de John Lennon não mais se sentissem representados por elas. Podemos ao mesmo tempo ver a transição do Flower Power influenciado por um movimento hippie e após aproximação aos grupos tidos como “movimentos de guerrilha” que relaciona com uma interpretação sobre a nova esquerda ou pertencente dos Yippies. O público-alvo deste LP visava como atingir aos "vencidos", pois se refere sobre a classe trabalhadora, mulher trabalhadora, criminosos ou criminalizados, e irlandeses que são colonizados pelos ingleses. Este público não tem tanto recursos para consumo de LPs e ir a shows. Porém a produção das músicas foi pensada para estas pessoas. Depois do massacre em plena marcha pelos Direitos Humanos dos irlandeses (em Janeiro de 1972), John Lennon participou de um comício da União de Trabalhadores do Transporte onde cantou para eles sua nova canção sobre os irlandeses.
Desta forma, a crítica Christgau de que John Lennon perdeu seu público e não usou seu carisma, pois seguiu a perspectiva radicalizada dos Yippies. Priorizando o resultado e não a forma pacífica. Mostrando o posicionamento de Christgau em defender o ponto de vista de músicas mais abrangentes e pacifistas. A crítica de Christgau acredita que John Lennon perdeu seu antigo público tanto o dos Beatles quanto a do Flower Power. Ao deixar de ser pacifista fez com a FBI investigue John Lennon e tente até deportá-lo, porém seus fãs se movimentam através abaixo-assinados que impedem sua saída do país. Isto promove o questionamento até que ponto realmente John Lennon perdeu seu público.
Outro ponto que pode ser visto nas críticas é que neste LP se valoriza a letra e como visto pela revista Rolling Stone como revista sobre música esperava algo muito mais agitado em seu ritmo e as melodias melhores construídas. Outros críticos diziam que Yoko Ono fez com que o álbum ficasse ruim pela falta de ritmo e técnica de canto relacionada a música japonesa. Porém a arte engajada neste LP visa à importância da mensagem e, por vezes, a música é simples e feita para protesto. Nestas críticas, o posicionamento quanto ao rock choca-se com entendimento do que é arte para John Lennon, pois o artista captou os conflitos e sentimentos da época. Porém a revista valorizava mais a melodia do que a letra. Porém se fosse o problema com a Yoko, a música dela Woman is the Nigger of the World não seria um single.
Assim as diversas perspectivas que criticam e tentem classificar o LP como ruim, ainda existe controvérsias as críticas e com os fatos em torno do LP. Esta crítica carregada de um cunho ideológico conservador e fechado a uma produção diferente e arte engajada. Lennon ainda tinha um público cativo, independente se posicione a favor de atingir a igualdade de forma agressiva. Podemos ver isto tanto na participação no abaixo-assinado de permanência de John Lennon nos EUA, e em shows a favor dos direitos humanos. A música como arte se metamorfoseia de acordo com o que quer transmitir e nesta época a música se torna cada vez mais versátil e sem padrões. Este álbum expressa a Revolução cultural  e/ou a Revolução sexual onde transforma a estrutura familiar. Esta libertação pessoal e social desmembrou as cadeias do Estado, dos pais e do poder dos vizinhos, da lei e da convenção, esta libertação sexual se afastando de retidão moral e da emoção reprimida dos anos 50. A música passou por rompimentos da forma musical anteriores dentro de um estilo musical. Estas experimentações de novos elementos dentro de um estilo musical refletem esta diversificação, globalização de ideias e de problemas na sociedade. John Lennon e Yoko Ono percebem esta globalização e ampliamento dos problemas sociais e tendências, deste modo, o LP possui uma temática central que é os direitos humanos. O LP relaciona temas específicos que referem a mesma problemática. Esta produção musical queria que estes grupos dos “vencidos” tivessem sua chance de ter seus direitos e assim “nós somos todos água de rios diferentes/ (...) neste vasto, vasto oceano/ (...) nós iremos evaporar juntos/ Qual é a diferença?/ (...) Não há diferença!”. Este trecho da música We´re all water finaliza o 1° disco do LP, e termina mostrando as intenções pelas quais de Lennon e Ono se aproximarem de grupos radicais porque eles buscavam pelos direitos civis e assim a liberdade de pensamento e de sexualidade.