domingo, 19 de janeiro de 2014

"As Belas Imagens" de Simone de Beauvoir

 
O livro "As Belas Imagens" de Simone de Beauvoir é uma história sobre Laurance, uma mulher casada que em crise com seu relacionamento e com os relacionamentos sociais faz a reflexão sobre "as belas imagens". Quando ela usa este termo de "belas imagens" é sobre a vida de aparências, ou convenção social. Isto é possível de se observar em duas partes que selecionei. A primeira falando da viagem que ela fez onde refletindo que:
             "(...)incitariam os seus amigos a verem Atenas e a cadeia de mentiras se perpetuaria, as belas imagens permanecia intactas apesar de todas as desilusões."(p.130)
     Mostrando que as opiniões das pessoas ao afirmar que o "belo" é viajar para Atenas e caso você não goste deste lugar ou passeio deixaria de perpetuar as "belas imagens" ou as aparências. Então, com medo de perder a conexão com pessoas passa a viver sobre mentiras onde a convenção social dá o valor de algo ser melhor do que outra coisa. O segundo trecho selecionado é quando ela fala sobre a filha criticando a "bela imagem", ela disse:
            "-É simples sou eu quem cuida de Catherine. Você intervém de quando em vez. Mas sou eu quem a educo, e sou eu quem deve tomar decisões. Estou tomando-as. Cria um filho, não é fazer uma bela imagem..." (p. 140)
    Neste outro trecho vemos algo que Beauvoir explora em outras obras dela que é a questão feminina. Simone de Beauvoir é uma filosofa francesa feminista que acredita que:
          "NINGUÉM nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino." (p. 9, O Segundo o Sexo, vol. II)
     Vemos Beauvoir questionando os padrões do ser menina, onde podemos relacionar com a análise de Andrea Nye (1988) da qual diz que:
       "Quando as mulheres são educadas, tratadas e  consideradas como iguais, como homens, tornam-se masculinizadas e com isso perdem suas almas femininas. Tornam-se frias, competitivas e reduzem sexo e amor a pura lascívia. Ela citava em especial "socialistas" como Kollontai, que transformaram a mulher em apenas companheira dos homens e incentivavam a promiscuidade, relacionamentos seriais e divórcio fácil." (p. 116)
    Assim, mostrando como esta obra é profunda e tão bonita em sua reflexão pontuo mais uma citação do livro sobre desta viagem a Atenas, Laurance refletia e viu que:
      "Uma menininha pôs-se a dançar, tinha três ou quatro anos: minúscula, morena, olhos negros, um vestido amarelo rodado formando uma corola na altura do joelho, meias brancas, girava em torno de si mesmo, os braços para acima, os rostos afogados em êxtase, com um ar muito louco. Transportada pela música, deslumbrada, tonta, transfigurada, desvairada." (p. 122)
     Neste momento, Laurance viu algo que ela considerou uma bela imagem, sem a ideia de convenções, mas algo simples e belo que saiu da alma de uma menina ao ouvir uma música. Desta forma, vemos que Beauvoir aborda assuntos amplos que o termo "belas imagens" que guia a narrativa de Laurance em suas vivências e finalizando com uma grande reflexão sobre a vida, a mulher e o "belo".

7 comentários:

  1. Parece um livro forte e que estimula a reflexão, gosto de livros assim!

    Estou seguindo seu blog!

    Se desejar conhecer o meu, será bem vinda!

    Estandy Books - A Estante Da Andy

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  2. Olá, gostei muito de sua análise sobre o livro. Eu também fiz no meu blog http://dedosinquietantes.blogspot.com.br/ mas com certeza a sua está impecável. Beijos :-)

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    1. Que bom que gostou de minha resenha. Que legal que você também leu este livro, ele realmente é muito bom. Li sua análise sobre o livro, acho que tenho uma maior facilidade ao falar sobre Beauvoir, pois eu já tinha lido livros relacionados a teória feminista e textos teóricos dela, e concordo com o posicionamento feminista existencialista de Beauvoir.
      Vou ler seus outros textos do blog para saber mais de suas leituras, vai que eu conheço através de você um livro que não conhecia, né?!
      Obrigada por ler minha resenha! ;)
      Tenha ótimas leituras,
      Beijos.

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  3. Jéssica,
    conheço alguns textos teóricos da Simone, mas não conhecia essa ficção. Fiquei bastante interessada, pois pude ver que toda a crítica feita pela autora pode ser vista no cotidiano de suas personagens. Seria um romance de educação sentimental? A teoria proposta pela Simone também está em Sartre, né. Podemos ver a vivência dela, como viveu além de propor. Gostei da sua análise, pois percebo a dificuldade de encontrarmos textos feministas bem embasados, como o seu. Ansiosa para encontrar esse livro!
    www.viagensesquizofrenicasalua.blogspot.com.br

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    1. Lua,
      Se queres um livro sobre feminismo tens Simone de Beauvoir. Ela consegue nos encantar com seus pensamentos e engajamento filosófico que ela levantou em toda sua vida. Acho muito bom para começar ler Beauvoir como romance este livro.
      Obrigada por gostar de meu texto.
      Beijos.

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  4. Oi Jéssica,
    Faz um tempo que quero ler Beauvoir. Cheguei a começar o "Segundo sexo", mas não terminei. Gostei bastante do seu texto e acho que é um bom livro para iniciar a obra da autora. Com certeza será uma das minhas leituras desse ano.

    Beijos, Izabela :)

    cadernoderesenhas.blogspot.com.br

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    1. Oi Izabela,
      O "Segundo sexo" é meio grande, porém vale a pena ler, pois é a teoria feminista de Beauvoir. "As belas imagens" é um livro de ficção dela que aplica algumas ideias dela sobre o feminismo. Pode ser um bom livro para começar a ler Beauvoir. Peço que não desista do "Segundo o sexo" se gostar de "As belas imagens"

      Desejo ótimas leituras!
      Beijos,

      Jéssica.

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