quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

10 livros que me marcaram / 10 books that have stayed with me

Essa brincadeira/meme começou no Tumblr (“10 books that have stayed with me” ) e se espalhou pelo Facebook. A Juliana Brina me "tagueou" e agora as instruções desta brincadeira: 
“A brincadeira consiste em fazer uma lista com os 10 livros (ficção ou não-ficção) que me tenham marcado. A ideia é não gastar muito tempo, nem pensar muito. Não precisam ser grandes obras, apenas aquelas que tenham sido importantes pra mim. Eu tenho de marcar 10 amigos para participar da brincadeira. E eles devem me incluir quando fizerem suas listas para que eu possa ver a lista deles.”
Minha lista:
1. Cânticos (Cecília Meireles);

2. Noite na Taverna (Álvares de Azevedo);

3. Utopia (Thomas Morus);

4. As Flores do Mal (Charles Baudelaire);

5. Microfisica do Poder (Michel Foucault);

6. Trafico de mujeres y otros ensayos sobre feminismo (Emma Goldman);

7. Londres e Paris no século XIX (Maria Stella Martins Bresciani);

8. As Belas Imagens (Simone de Beauvoir);

9. O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde);

10. Hamlet (William Shakespeare).



Blogs  que indico  para fazer a tag:
1. Estandy Books – http://www.estandybooks.com/
2. Trocando Miúdos – http://danitrocandoemmiudos.blogspot.com.br/
3. Ao rés do chão - http://aoresdochao.com/
4. Literatour TV - https://www.youtube.com/channel/UCrfZ6YnUmP0lgZeTbBR8MZg
5. Alou tá gravando - https://www.youtube.com/channel/UC9VzD5R_k1X6dO_8yUs9hlg
6. Um Metro e Meio de livros - http://www.ummetroemeiodelivros.com/
7. LidoLendo - https://www.youtube.com/user/lidolendo
8. Respira, Mariana! - http://respiramariana.com.br/
9. Literalmente Vlogando - https://www.youtube.com/user/LiteralmenteVlogando
10. Tiny Little Things - http://frappuccinomochabranco.blogspot.com.br/

Quem quiser participar também desta brincadeira/tag sinta-se a vontade de fazê-la! Só depois me passe o link para eu ver sua resposta. ;)

domingo, 19 de janeiro de 2014

"As Belas Imagens" de Simone de Beauvoir

 
O livro "As Belas Imagens" de Simone de Beauvoir é uma história sobre Laurance, uma mulher casada que em crise com seu relacionamento e com os relacionamentos sociais faz a reflexão sobre "as belas imagens". Quando ela usa este termo de "belas imagens" é sobre a vida de aparências, ou convenção social. Isto é possível de se observar em duas partes que selecionei. A primeira falando da viagem que ela fez onde refletindo que:
             "(...)incitariam os seus amigos a verem Atenas e a cadeia de mentiras se perpetuaria, as belas imagens permanecia intactas apesar de todas as desilusões."(p.130)
     Mostrando que as opiniões das pessoas ao afirmar que o "belo" é viajar para Atenas e caso você não goste deste lugar ou passeio deixaria de perpetuar as "belas imagens" ou as aparências. Então, com medo de perder a conexão com pessoas passa a viver sobre mentiras onde a convenção social dá o valor de algo ser melhor do que outra coisa. O segundo trecho selecionado é quando ela fala sobre a filha criticando a "bela imagem", ela disse:
            "-É simples sou eu quem cuida de Catherine. Você intervém de quando em vez. Mas sou eu quem a educo, e sou eu quem deve tomar decisões. Estou tomando-as. Cria um filho, não é fazer uma bela imagem..." (p. 140)
    Neste outro trecho vemos algo que Beauvoir explora em outras obras dela que é a questão feminina. Simone de Beauvoir é uma filosofa francesa feminista que acredita que:
          "NINGUÉM nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino." (p. 9, O Segundo o Sexo, vol. II)
     Vemos Beauvoir questionando os padrões do ser menina, onde podemos relacionar com a análise de Andrea Nye (1988) da qual diz que:
       "Quando as mulheres são educadas, tratadas e  consideradas como iguais, como homens, tornam-se masculinizadas e com isso perdem suas almas femininas. Tornam-se frias, competitivas e reduzem sexo e amor a pura lascívia. Ela citava em especial "socialistas" como Kollontai, que transformaram a mulher em apenas companheira dos homens e incentivavam a promiscuidade, relacionamentos seriais e divórcio fácil." (p. 116)
    Assim, mostrando como esta obra é profunda e tão bonita em sua reflexão pontuo mais uma citação do livro sobre desta viagem a Atenas, Laurance refletia e viu que:
      "Uma menininha pôs-se a dançar, tinha três ou quatro anos: minúscula, morena, olhos negros, um vestido amarelo rodado formando uma corola na altura do joelho, meias brancas, girava em torno de si mesmo, os braços para acima, os rostos afogados em êxtase, com um ar muito louco. Transportada pela música, deslumbrada, tonta, transfigurada, desvairada." (p. 122)
     Neste momento, Laurance viu algo que ela considerou uma bela imagem, sem a ideia de convenções, mas algo simples e belo que saiu da alma de uma menina ao ouvir uma música. Desta forma, vemos que Beauvoir aborda assuntos amplos que o termo "belas imagens" que guia a narrativa de Laurance em suas vivências e finalizando com uma grande reflexão sobre a vida, a mulher e o "belo".

"A outra face" de Deborah Ellis

 
 "A outra face" de Debora Ellis é um livro infanto-juvenil que circula por alguns escolas como livro de leitura do ensino fundamental onde cria-se uma visão sobre o Oriente Médio de forma geral e a visão sobre a mulher muçulmana. Assim, este livro é rica para fazermos reflexões sobre sua abordagem e visão da mulher muçulmana em pleno regime talibã.
   Ao ter em mãos um livro é a sua capa com uma face de menino usando uma espécie de turbante verde-escuro, de tez morena e olhos negros. O título do livro traz o subtítulo: “História de uma garota afegã”, onde a palavra “garota” chama atenção. Então pensamos o que fez essa menina vestir-se de menino?
   Na parte detrás do livro vemos a seguinte informação: “A premiada escritora canadense Deborah Ellis ouviu histórias como a de Parvana em campos de refugiados afegãos no Paquistão e na Rússia, durante o regime Talibã.”
   Então o livro conta a história desta menina que tem onze anos e vive no Afeganistão e vê-se num dilema após a prisão de seu pai, por soldados talibãs. Os talibãs como sabido e tremendamente difundido na mídia ocidental, não permitiam que mulheres trabalhassem, estudassem ou mesmo saíssem de casa desacompanhadas de um homem. O único homem da casa, após a prisão do pai de Parvana, é um bebê, e a família precisa de suprimentos para sua subsistência. Ao que parece a tarefa ficou para Parvana, que precisava sustentar sua mãe, suas duas irmãs e seu irmão, ainda um bebê. Assim, Parvana passa a se vestir como menino para sustentar sua família já que seu pai estava preso.
Contexto
A criação e consolidação do Talibã foram feitas pela contribuição do Paquistão, Arábia Saudita e, em menor medida, os Emirados Árabes Unidos, desde 1994. Em 1996, o Talibã ocupou o governo do país, passando a inserir uma tendência histórica de apoio político e material a grupos islamistas, empreendidos por Riad e Islamabad, para usufruir da dominação soviética desde o início dos anos 90. [1]
O caráter multi-étnico do Estado afegão justifica uma série de alinhamentos políticos, como a ligação do Irã a populações xiitas e persófonas, como os hazara; das minorias uzbeques e tadjiques ao Uzbequistão e Tadjiquistão e da etnia majoritária pachtu seus correlatos paquistaneses. A defesa de vertentes sunitas “fundamentalistas do islamismo político” [2] é, também, uma explicação para o alinhamento de diversos grupos no interior do Afeganistão ao Paquistão, em cujas regiões de fronteira muitos se originaram, e à Arábia Saudita, que simboliza este fundamentalismo sunita.
O regime Talibã, financiado pelos poderes de países da região que eram intermediários dos Estados Unidos, em busca de uma identidade desvinculada a URSS, dominaram esta região, levantando um regime político e religioso que visava o poder de uma tribo, mas não sua região como um todo, como país. Os Estados Unidos só deu importância aos acontecimentos do regime Talibã após 11 de Setembro, pois mudou o clima político e estratégico no nível regional e internacional. O Paquistão decidiu apoiar a política estadunidense de guerra contra o terrorismo e ainda está lutando junto com as tropas estadunidenses. A “guerra contra o terrorismo” [3] tornou-se uma guerra contra o próprio Afeganistão, afetando e colocando em xeque a sua segurança interna e externa, assim como a sua soberania, o que adquire importância quando se considera que as forças estadunidenses e da OTAN ainda queriam auxiliar nos conflitos do Afeganistão.

Desconstruindo a imagem da mulher
Desejamos agora mostrar como ainda estão arraigados estes estereótipos acerca da mulher muçulmana. O livro literário de Deborah Ellis, A outra face, ao mesmo tempo em que deseja mostrar que as “Kids are really hungry to learn about what’s going on in the world[4], reafirma os estereótipos da mulher muçulmana.
            Parvana, a personagem- narradora, é uma menina de onze anos que parou de estudar com o advento do regime talibã. Parvana observou que antes do regime talibã sua mãe e irmã passeavam com a família pela rua usando “lenços finos nos cabelos”[5] e recebiam no rosto a luz do sol, mas durante o regime além de prenderem o seu pai, precisava auxiliar sua mãe, e: “ajudá-la a descer as escadas era mais ou menos como ajudar o pai aleijado, porque a burca a impedia de enxergar os degraus.” [6]
Como Chagas discute, podemos ver que estes trechos acima mostram as “percepções da ‘mulher muçulmana oprimida’ podem ser localizados num discurso ocidental mais amplo que tende a universalizar a ideia de ‘mulher’ e dos seus direitos/ desejos de “autonomia” e “liberdade(...)”[7], este mesmo discurso orientalista pensa que deve tirar esta dominação masculina que oprime a mulher. O uso desta imagem que o homem muçulmano é opressor vem da construção midiática pelos acontecimentos, como guerras árabes onde associam o terrorismo, e os homens-bombas. Porém este recurso é utilizado em excesso onde “a comunidade árabe é frequentemente exposta nos noticiários ocidentais como uma nação submissa aos valores e poderes masculinos, à tamanha violência, ao fundamentalismo religioso a luta por um estado reconhecido mundialmente” [8].
O uso da representação das vestes das mulheres muçulmanas como extensão do poder masculino deve ser questionado, pois “o uso do hijab, assim como qualquer outro tipo de vestimenta islâmica, carrega consigo valores que lhes são contextualmente atribuídos e mesmo sendo um símbolo religioso do Islã (...)” [9]. Entretanto, o uso que Ellis fez no livro sobre o questionamento da roupa da mulher muçulmana não poderia ser feita por uma menina muçulmana que vive em um contexto cultural dentro de um país de maioria islâmica[10].
Outros trechos do livro que explicitam a necessidade de tentar gerar uma “autonomia” e “liberdade” para esta mulher muçulmana são após Parvana ter seu cabelo e vestes modificadas para aparentar ser menino e a irmã mais nova de Parvana querer sair um pouco de casa, a Sra. Weera diz: “-Deixe ela ir. (...) Parvana agora é um menino. Marya estará segura” [11]; e quando Parvana conversa com a Shauzia que se veste como Chafic e revê-la seus planos afirmando que: “-Quero continuar a ser menino. (...) Se eu voltar a ser menina, terei de ficar trancada em casa. E não vou suportar.” [12], pondo a personagem concluir que a única forma de voltar a se vestir como menina é fugindo “para a França, mas levará para longe daqui. Depois tudo será mais fácil” [13]. A conclusão de Shauzia mostra por parte da autora uma fuga para o Ocidente, onde Shauzia encontraria a “liberdade” e “autonomia”, pois relaciona sua permanência com “morrerei se ficar aqui” [14]
É possível relacionar a permanência em um país islâmico onde se está passando por guerras do Regime Talibã e com um trecho da fala do pai de Parvana que diz: “-A moral da história, minhas filhas, é que o Afeganistão foi a terra das mulheres mais corajosas do mundo. Vocês são corajosas. Vocês são herdeiras da bravura de Malali.” [15] Mostrando uma relação em que a “mulher muçulmana oprimida” resiste permanecendo ou fugindo do lugar, pois assim ela se mantem e lutando dentro ou fora de seu país para tirar esta situação opressiva.
A construção deste símbolo feminino foi mobilizada na “Guerra contra o terrorismo”, pois o governo estadunidense encontrou no Regime Talibã o sinônimo para terrorismo, assim utilizava da imagem feminina, como desprotegida, doente e pobre por causa do governo Talibã. Acusando este governo de deixar “em exclusão do emprego, da educação e das alegrias de utilizar esmalte na unha” [16]. Ao mesmo tempo quando dizem quem é “bárbaro” tem um modelo de “‘povos civilizados pelo mundo’ cujos corações se partiam pelas mulheres e pelas crianças do Afeganistão e os talibãs-e-os-terroristas, os monstros cultivam que querem como mencionou, ‘impor seus mundos sobre o resto de nós’.” [17]
A necessidade de dominar por parte do Ocidente procurou por:
“(...) uma vítima frágil encontrada na mulher para o motivo da dominação. Como em Women and Gender in Islam, o que Lila AHMED (1992) chamou de ‘feminismo colonial’ estava firmemente funcionando. Essa era uma preocupação seletiva a respeito da situação das mulheres egípcias que focava no véu como um signo de opressão, mas não dava qualquer apoio à educação feminina e era professada em alta voz pelo mesmo inglês, Lord Cromer, que se opusera ao sufrágio feminino em seu país.” [18]
Enquanto o Ocidente vê o véu como opressivo, opondo-se ao “feminismo colonial”, Abu-Lughod relatou que:
 “não consigo pensar em uma única mulher que conheça, da mais pobre na zona rural à mais educada cosmopolita, que tenha de qualquer forma expressado inveja das mulheres norte-americanas, mulheres que elas tendem a perceber como sendo despojadas da comunidade, vulneráveis à violência sexual e exclusão social, dirigidas mais pelo sucesso individual que pela moralidade, ou estranhamente desrespeitosas em relação a Deus.” [19]
Assim podemos ver que a existe uma construção da visão que a muçulmana carrega “fardo de pena” [20] sendo desta religião, mas ao ver o relato de Abu-Lughod, no Egito, sobre a opinião da mulher muçulmana sobre a mulher ocidental vemos que está se assumindo um desejo ocidental a um sujeito culturalmente e historicamente localizado no Oriente islâmico. A construção de uma imagem no prisma ocidental até “des-orientalizou a Cleópatra” [21] que é ícone sempre reutilizado com atrizes que nada remetem a aparência de uma mulher que habitaria o Egito. O mesmo acontece com a necessidade de dar a mulher afegã, como na A outra face uma construção de necessidades e sentimentos que não condizem com a cultura em que ela vive.
                Durante o regime talibã a mulher não está se escondendo e desprotegida como a mídia mostra até porque existiram movimentos como o RAWA (Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão). Apesar de ser um importante movimento pela igualdade das mulheres em governos opressores, o assunto foi pouco abordado. O relato de Mareena que é membro do RAWA diz que “Nosso objetivo é conscientizar as pessoas para que elas alertem os governantes, pois são eles que formam a ONU. Os Estados Unidos têm de fazer alguma coisa uma vez que foram eles que financiaram o Talibã contra os russos. O cientista criou o monstro e agora não sabe como destruí-lo” [22].
            Tanto antropólogas quanto feministas ou cidadãs engajadas deveriam tomar cuidado ao “entrar na pele das cristãs missionárias do século XIX que devotam suas vidas a salvar suas irmãs muçulmanas” [23]. Onde se pensava que a mulher no mundo muçulmano era oprimida, ignorada, reclusa pelo véu onde estas mulheres missionárias se responsabilizavam para que dessem oportunidade destas mulheres sejam ouvidas. Deste modo, as mulheres cristãs consertariam e iluminariam da escuridão do sacrifício. OSMAN (2010) diz que o Ocidente enxerga o Islã como fonte de violência e fanatismo e, desta forma, vincula a opressão contra a muçulmana à sua fé. [24] Os projetos de salvar outras mulheres reforçam que existe uma superioridade por parte dos ocidentais, utilizando em Estados em relação de desvantagem, como mulheres afro-americanas ou mulheres proletárias que sofrem uma violência estrutural. Entretanto, como Abu-Lughod mostra estas em desvantagem acabam se politizando a cerca da raça e da classe social, mas não em relação à cultura[25]. Deixando mais uma lacuna para questionar a constante confronte sobre a cultura islâmica e atribuída a ele como opressor e obscuro.          
A RAWA chamou a atenção das mulheres dos EUA aos excessos do Talibã, mas estas se opuseram ao bombardeio americano desde o início. Elas dizem que “não veem nisso a salvação das mulheres afegãs, e sim um aumento do sofrimento e da perda” [26].  A RAWA pedia pelo desarmamento e por forças de manutenção da paz. Abu-Lughod conta que elas também apontavam os perigos de se confundirem governos com as pessoas, “o Talibã com afegãos inocentes que serão mais prejudicados. [27] Abu-Lughod conclui que “às audiências que observem atentamente a forma como as políticas estão sendo organizadas em torno de interesses petrolíferos, da indústria armamentista e do comércio internacional de drogas. Não estão obcecadas com o véu, mesmo sendo as feministas mais radicais que têm trabalhado por um Afeganistão secular e democrático.”[28]  
Desta maneira, podemos mostrar que os interesses foram outros ao divulgar a imagem da mulher afegã muçulmana durante o regime Talibã. O cunho político que é por estas em posição de indefesas e privadas da liberdade foi uma construção ocidental, que se utiliza do “feminismo colonial”. Porém quando se utilizam estes estigmas negativos criam a divulgação de pré-conceitos sobre o mundo muçulmano. Quando estes pré-conceitos e o uso do “feminismo colonial” atingem os meios de divulgação de pensamentos, como rádio, televisão, internet, revistas e livros, formam o entendimento do Oriente muito mais Orientalista do que realmente é. [29] Podemos entender que Deborah Ellis foi diretamente afetada por esta propagandismo que a fez ir à busca de relatos de mulheres em campos de refugiados no Afeganistão durante o regime talibã. O livro A outra face reproduz os estereótipos já existe há muito tempo sobre o Oriente, e por fazer sucesso faz mais pessoas acreditarem que esta realidade que o livro conta não é presa apenas à família de Parvana e não apenas durante o Regime Talibã. Infelizmente, o Ocidente segue “(...) estigmatizando o Islã e os muçulmanos, reforçando o preconceito e anulando a diversidade cultural (...)”[30], mas deveriam aceitar as diferentes concepções religiosas, culturais e rever as concepções da mulher em suas particularidades territoriais para que enfim desconstrua estes estereótipos que perpetuam pelas mídias.




[1] ROMERO, Pablo P. S.; SOLER, Rafael da. Sete anos de guerra no Afeganistão: desafios políticos e novas estratégias. IN: Meridiano 47 n. 101, dez. 2008. p. 49.
[2] Idem.
[3] AKHTAR, Nasreen. The Post-Taliban Era. IN: Asteriscos: Revista de Estudos Internacionais e da Paz Journal of International and Peace Studies. Ed. 7/8; 2009. p. 109 a 128.
[4]  O´BRIEN, Andrea M. An Interview with Deborah Ellis: The Power of One Voice. In: CCBC Newsletter, 2005.
[5]  ELLIS, Deborah. A outra face. Trad. Luísa Baêta. São Paulo: Editora Ática, 2006. P. 15.
[6]  Ibidem. p. 30
[7]  CHAGAS, Gisele F.  A pedagogia do Islã: Aprendendo a ser muçulmano no Rio de Janeiro. IN: Olhares Femininos sobre o Islã: etnografias, metodologias e imagens. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2010. p. 179.
[8] GUEDES, João V.; Dias, Luciene; Sousa, Rômulo. XIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste. In: A Mídia Ocidental e os povos Árabes. Cuiaba: UFGO, 2011.  p.1-2
[9]CHAGAS, Gisele F. A pedagogia do Islã: Aprendendo a ser muçulmano no Rio de Janeiro. In: Francirosy Campos B. Ferreira. (Org.). Olhares Femininos Sobre o Islã. 1ed. São Paulo: Hucitec, 2010, v. 1. p. 87.
[10]CHAGAS afirma que existe um questionamento entre os próprios muçulmanos quando “vivem em contextos culturais não majoritariamente islâmicos” (p.87), mas como percebemos Parvana não experienciou outra realidade.
[11] ELLIS, Deborah. A outra face. Trad. Luísa Baêta. São Paulo: Editora Ática, 2006. p. 64.
[12]Ibidem. p. 94
[13]Ibidem. p. 95
[14]Idem.
[15]Ibidem. p. 24
[16]ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação?: reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus outros. IN: Rev. Estud. Fem., Ago 2012, vol.20, no.2, p. 453-454.
[17]ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação?: reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus outros. IN: Rev. Estud. Fem., Ago 2012, vol.20, no.2, p.453-454.
[18] Neste trecho se fala sobre “Feminismo Colonial”, este termo é empregado para denominar o uso da imagem de fragilidade, neste caso a mulher, para motivos de dominação deste território e deste individuo que julga estar desprotegido. Não se refere ao feminismo real, mas uma construção para dominar, e aparentar que faz algo bom e que está dando civilidade e os reais direitos que não existem neste lugar. Ibidem. p. 454.
[19]Idem.
[20]LALAMI, Laila. A posição missionária. IN: Dialógico[online], Trad. Daniel Lopes, 29 Out. 2007.
[21]SHOHAT, Ella. Des-orientar Cleópatra: um moderno da identidade. Cad. Pagu [online]. 2004, n.23, p.11.
[22]      GUEDES, João V.; Dias, Luciene; Sousa, Rômulo. “A Mídia Ocidental e os povos Árabes”. In: XIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste. Cuiabá: UFGO, 2011.  p.11.
[23]     ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação?: reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus outros. In: Rev. Estud. Fem., Ago 2012, vol.20, no.2, p.465.
[24] OSMAN, Samira Adel. Tirando o véu do preconceito: a visão estereotipada do Ocidente sobre as mulheres muçulmanas. In: Aventuras na História, São Paulo, p. 36-36, 07 jul. 2010.
[25]     Ibidem. p. 17
[26]     GUEDES, João V.; Dias, Luciene; Sousa, Rômulo. “A Mídia Ocidental e os povos Árabes”. In: XIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste. Cuiabá: UFGO, 2011.  p.11.
[27]     ABU-LUGHOD, Lila. As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação?: reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus outros. In: Rev. Estud. Fem., Ago 2012, vol.20, no.2, p.467.
[28]     Idem.
[29]SOUZA, Anna Carolina Negri Pinto de; ROSA, Bruna Tonzano; CREMÁCIO, Camilla; LOPES, Fabiana da Silva; SILVA, Juliana Cruz da; SILVA, Priscila Della Bella da. Por Trás do Véu. In: Intercom: XIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste.São Paulo: UMESP, 07 a 10 de maio de 2008. p.1-7.
[30] OSMAN, Samira Adel. Tirando o véu do preconceito: a visão estereotipada do Ocidente sobre as mulheres muçulmanas. In: Aventuras na História, São Paulo, p. 36-36, 07 jul. 2010.

Sobre este blog


Olá! Seja Bem-vindo(a) ao meu blog! Este lugar está aberto para discutir a questão da mulher de alma, ou/e da fêmea de corpo através da arte. Quando falo de arte...não pense que me prenderei aos "livros" do qual intitula meu blog, mas da arte escrita, falada, desenhada ou corporal. Não simplesmente arte ou mulher, mas ambos e às vezes posso até fugir do tema. Não se esqueça "O Feminino dos Livros" não é ficção ou real, mas ambos. Sente-se, pegue uma xícara de café ou chá e vamos conversar. Vamos explorar nossos seres humanos, que podem bem ser homem no corpo e fêmea de alma ou vice-versa, ou ambos quem sabe.
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"Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante".
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