segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Desabafo sobre feminismo

Olá,
Ao longo deste período sem escrever no blog, eu refleti sobre algumas práticas das quais venho mudando. Sei que este blog tinha o interesse de trazer reflexões obtidas através (principalmente) dos livros, no entanto, a vida acontece e a prática da reflexões não ficam presas aos livros que leio. Após ver o filme "She's beautiful when She's angy" percebi que a forma como lidava com o feminismo não contribui muito na vida real e reflexões das pessoas. Não quis dizer que deveria ser famosa pelo que escrevo, mas que queria contribuir mesmo um pouco com o movimento. 
A realidade no Brasil é outra, não é os livros feministas que contribuem para maior massa de pessoas, mas a mídia. Admiro projetos de pessoas que estão desempenhando projetos para que leiam mais Mulheres, mas penso que talvez o simples ato de ler não é suficiente. Numa realidade onde a mulher absorve os papéis a qual é dado a ela, vemos reprodução do discurso que não se difere a dos homens. Não que não seja importante ler mulheres, mas tem que haver uma reflexão sobre o que é esta obra, se difere da reprodução dito pela sociedade sobre o papel da mulher ( de dona de casa e mãe).
Desta forma vem minha reflexão sobre o ativismo. Como as meninas e meninos são educados logo cedo? Por quê o feminismo dito como radical não acredita que devemos dar acesso aos meninos a reflexões e questionamentos feministas? Feminismo é só para mulheres? Vamos extremar a sociedade impedindo a compreensão do é feminismo e como ser feminista? Bem, se feminismo não é para todos então o que é feminismo para você? E como age para contribuir com o que acredita? Acredita que pode contribuir e como faz?
Estas questões me pegaram e agora desejo mudar a forma de ação. Eu acredito que feminismo é a busca por direitos iguais a todos seres independente da cor, credo, sexualidade, gênero ou posicionamento política. Não vou cair na besteira de contribuir na seguimentação em vertentes do feminismo que não ajuda a lutar por melhorias coletivamente. 
Se alguém se interessar pelo meu texto, por favor, me diga suas respostas pelas perguntas que trouxe e se não tiver respostas pode trazer mais questões.
Desejo um bom dia a todos!

terça-feira, 29 de março de 2016

Indicações de filmes para se pensar a condição da mulher

    Neste mês de Março se comemorou o dia internacional da mulher, mas sabemos que a luta pelos direitos e igualdade ainda faz deste mês ser lembrado como um período de reflexão e conscientização da realidade das mulheres. Então, eu deixo aqui indicações de filmes para assistir e pensar as diversas realidade das mulheres, alguns filmes que indicarei muitos podem já conhecer, mas indicarei caso não tenham visto.

Ser criança negra em busca 

A História de Ruby Bridges (1998)
Dirigido por: Euzhan Palcy











Ser mulher negra numa sociedade machista e racista



Histórias Cruzadas (2011)
Dirigido por: Tate Taylor









Ser empregada e ser filha de empregada

Que Horas Ela Volta? (2015)
Dirigido por: Anna Muylaert










Ser uma mulher imigrante 



Dançando no Escuro (2000)
Dirigido por: Lars Von Trier










Ser ativista feminista e sufragista no início do século XX



As Sufragistas (2015)
Dirigido por: Sarah Gavron










Ser uma mulher que busca melhoria indo contra as tradições da vila



A Fonte das Mulheres (2011)
Dirigido por: Radu Mihaileanu










Ser lésbica numa família conservadora 


Assunto de Meninas (2001)
Dirigido por: Léa Pool











Ser uma mulher iludida pelo sonhado parceiro perfeito



Educação (2009)
Dirigido por: Lone Scherfig










Ser uma mulher que defende as pessoas do bullying



A Mentira (2010)
Dirigido por: Will Gluck










Não se identificar com o gênero que nasceu e ter nascido biologicamente mulher



Tomboy (2011)
Dirigido por: Céline Sciamma










Ser mãe solteira



Querido Frankie (2004)
Dirigido por: Shona Auerbach


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Leituras que desejo fazer em Janeiro de 2016

      Como disse antes, eu não consegui cumprir a metas de leitura para 2015 da qual continha 12 livros, eu li apenas 5 desta lista. Então todo mês irei fazer uma lista de livros que desejo ler pensando a minha disponibilidade em cada mês e meu interesse no momento de ler. Apesar de ser muito volátil meu humor e interesse de leitura, eu percebi que um tempo para cá tenho gostado ou interesse constante de ler: livros do estilo gótico; livros com personagens ou narradores engajados ou existencialistas; e livros sobre ou com viagens. Se alguém leu algum livro que se enquadra em algum destes três tipos ou mais de um deles, por favor, comente o nome dos livros e autor para mim.   Vamos a primeira lista do ano:

- "O médico e o monstro", de Robert Louis Stevenson 

-  "As boas mulheres da China", de Xinran ★★★

-  "Moby Dick", de Herman Melville (lendo ainda)

-  "Onde estaes felicidade?", de Carolina Maria de Jesus ★★★

- "Sonho de uma Noite de Verão", de Shakespeare (lerei...)

-  "O Homem revoltado", de Albert Camus ★★

- "Bordados", de Marjane Satrapi ★★

- "Papelucho en vacaciones", de Marcela Paz (lendo ainda)

- "A Mágica Da Arrumação: A Arte Japonesa De Colocar Ordem Na Sua Casa E Na Sua Vida", de Marie Kondo (lerei...)

Estes serão os livros que desejo ler em Janeiro, mas posso acabar lendo outros livros também e acabar esquecendo de ler algo. 

Desejo ótimas leituras a todos!



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Melhores leituras, filmes e séries vistos, de 2015

Melhores Leituras de 2015

No ano de 2015, continuei lendo mais livros de autoras, mas o problema que tive foi em diminuir ler menos livros e HQs de estadunidense, principalmente quanto quadrinhos, pois Marvel e DC são majoritariamente de homens e dos EUA. Entretanto neste ano li dois livros de autores da Oceania e comecei a gostar de alguns autores da América Latina. Eu sei que é pouco comparado a quantidade em ordem de maior leituras que fiz de autores estadunidenses, europeus (ingleses, franceses, tcheco, islandês e finlandês), brasileiros e asiáticos (japoneses) em comparação aos autores da região da África, Oceania e Oriente Médio. Pretendo em 2016 pelo menos ler mais autores da América Latina e da África porque é bom conhecer novas visões de mundo e novos autores. Agora vamos a lista de melhores leituras de 2015:



Em busca de um homem sensível, de Anäis Nin


   Este livro foi lido em janeiro de 2015, mas mesmo depois de ler mais livros acredito que foi uma das melhores leituras do ano. Pretendo ler mais Anäis Nin.

A indicação de Björk não falhou. Não sabia o que esperar do livro que com sua simplicidade e desenvolvimento me conquistou profundamente.



O Teatro do Bem e do Mal, de Eduardo Galeano


Sabe quando um autor fala tudo que você pensa sobre as questões sobre política e conduta humana. Só que tenho a dizer é que preciso ler mais Galeano.
Frankenstein, de Mary Shelley

Não fiz resenha deste livro em 2015, pois acredito que este livro tem uma complexidade que não sei se conseguiria traduzir em uma resenha. Se você ainda não leu e gosta de filosofia, suspense e de uma atmosfera meio gótica, você precisa ler este livro.




XXX Holic #01-4, de Clamp

Clamp fez o mangá da minha infância (Sakura Card Captor), então neste outro mangá tem questões um pouco mais adultas problematizadas, mas tem sua leveza e no pouco de li os mangás mexem com os desejos das pessoas e apareceu a Sakura e o Shoran em um dos volumes. 

Amanda Palmer ensinando que devemos aproveitar as possibilidades, e não desistir do seus sonhos profissionais não ter recursos suficientes para tal. Um livro e tanto que deve ser lido por todos.

Pó de parede, de Carol Bensimon

Carol Bensimon pega histórias diferentes e coloca reflexões de personagens que não se adaptaram com algumas questões, circunstâncias. Este não contentar destes personagens me fascina e em breve escreverei uma resenha do livro.


Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

O que me surpreendeu foi o final deste livro e como as  várias camadas de problematização do livro. Não tinha lido um livro de ficção de Chimamanda, mas percebi que o discurso que ela defende na não-ficção se conecta quando escreveu uma ficção que levantam questões sobre colonialismo, conflito entre a identidade dada pelos europeus e a identidade dos antepassados, os costumes e abuso do poder de Eugene Achike. Além disto, adorei a mensagem por de trás da figura do Hibisco Roxo.
Uivo, de Allen Ginsberg

Depois de ter lido "Amor no tempos de fúria", de Lawrence Fenlinghetti, tive um interesse maior em me adentrar a literatura beat e verifiquei com Ginsberg que me interesso pelos temas e pelo desenvolvimento que estão presentes junto a este grupo. Ainda não li o Keroauc nem Burroughs, mas em breve pretendo ler algo deles.






Melhores Filmes vistos em 2015

A viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki

Neste ano comecei a ver filmes da Ghibli e estou amando. Este foi o primeiro filme que vi e foi tão sensível que me fez continuar a ver filmes deste Studio. Eu que conhecia os animes japoneses não estava nem um pouco esperando que este filme fosse tão gostoso de ver.

O labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro

Apesar do desenvolvimento triste deste filme, eu tenho gosto normalmente de filmes mais dramáticos do que as demais gêneros. Então este filme misturou um pouco de fantastico e de drama fazendo eu me lembrar do jogo Alice: Madness Returns e preciso neste ano rever este filme.



Um estranho no ninho, de Milos Forman


Apesar de meu interesse sobre como a medicina e ter aguçado este interesse com Foucault, eu não tinha nenhum interesse em ver este filme. Entretanto, num dias destes que estava na faculdade e passaram este filme no entre-aulas. Depois disto, fiquei pensando porquê que eu não queria ver este filme. Que é realmente muito bom. Para quem gosta de Foucault, de psicologia e psiquiatria este filme é um ótimo jeito de descansar não descansando (pois sua mente vai ficar a mil por hora).


Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

Eu não tinha assistido o Mad Max antigo, mas a repercussão deste novo filme fez eu querer muito ver mesmo que seja um filme meio de ação. Não me arrependi, pois o filme realmente é fantástico. Dando um apoderamento feminino enorme com a Furiosa (interpretado por Charlize Theron).

Mutantes,Pornô Punk Feminista, de Virginie Despentes

Este filme é estilo documentário do qual discute e problematiza a questão de que feministas pode gostar e fazer parte da produção de pornografia. Além disto, promove um apoio a regulamentação da profissão de prostituição, pois desta forma as pessoas que trabalham não sofreriam problemas vinculados a violência, abuso e problemas relacionados a não serem devidamente pagxs. Neste filme discuti sobre o que Anäis Nin diz sobre a diferença entre literatura erótica e pornográfica. Para quem ficou interessado em ver este filme, peço que vão abertos a discussão proposta, pois as problematizações deste filme é super necessária.

Os 33, de Patricia Riggen

Este filme é uma ficção baseada num problema que ocorreu em 2010, no Chile, com 33 mineiros que ficaram presos 700 metros abaixo do nível do mar por uma mineradora que não tinha feito devido assustes de seguranças necessários para o trabalhos destes. Esta história me fez chorar, mesmo sabendo o que aconteceu com estes 33 mineiros. 

A incrível história de Adaline, de Lee Toland Krieger

Mais um filme que não achava que iria gostar, mas com seu desenvolvimento sensível sobre o problemas que Adaline (interpretado por Blake Lively) sofreu e o medo fez com que eu ficasse ansiosa até o fim do filme por ela.

Paris-Manhatan, de Sophie Lellouche

Paris-Manhatan é um filme leve, que conta a vida de Alice (interpretada por Alice Taglioni) que adora os filmes de Woody Allen, mas que aparentemente deseja ter um relacionamento assim como nos filmes do seu diretor favorito, mas não encontrou alguém. A personagem principal é farmaceutica, que não gosta de festas e vestidos e é uma pessoa muito sincera. Sei que este filme parece o tipo filme de romance, mas porque não assistir algo assim sem pretensão alguma para acalmar os nervos.

Que horas Ela Volta?, de Anna Muylaert

Este filme foi indicado por Jout Jout  e fiquei interessada em assistir. Achei a problematização do filme super interessante e necessária. Depois de ver o filme e concordei que TODXS devem assistir este filme!!! No ano de 2015 teve tanto protesto e panelhaço (em SP, pelo menos) por um grupo que acredita que é melhor que todos da face da Terra. Que na verdade só adoram um meritocracia, um estacionar e fura o transito através da faixa dos ciclistas e que fica reclamando de bolsa família, pois acreditam que este investimento é desnecessário. Este filme problematiza algumas destas mentalidades de superioridade perante a grupos que não tem tanto dinheiro quanto elas.


História Cruzadas, de Tate Taylor

 Outro filme que fala sobre a condição das domesticas, mas este caso dos Estados Unidos. Este filme mostra que lá a questão racial está muito vinculada a profissão e condição financeira das mulheres. Neste filme o preconceito fica muito mais nítido, pois assim como no Apartheid da África do Sul houve questões de divisões de espaços por conta da cor das pessoas. Filme que TODXS devem ver, e perceber que estas separações de tarefas estão muito vinculadas a escravidão!

A canção do Oceano, de Tomm Moore

Esta é a segunda animação da lista cheia de momentos fofos. Este é mais um filme para ser ver quando precisa para acreditar no bem.

Cabaret, de Bob Fosse

Adoro temas vinculados a década de 1920 e 1930 e este filme além disto é um musical sobre cabaré. Fiquei esperando que fosse um filme mais leve, mas a questão do Partido Nazista e a perseguição judaica aparece na história deixando um pouco tensa alguns momentos. Se gosta de musical e sobre assunto de Segunda Guerra pode ser uma boa pedida, mas não espere que seja um filme de guerra (porque não é!).

Uma Noite de Amor e Música, de Peter Sollet

Outro filme leve e para assistir sem compromisso. Sou fã da atriz Kat Dennings em 2 Broke Girls que faz a Max, e neste filme ela é um das personagens principais com o nome de Norah e isto me empolgou muito ver um filme com ela e que tenha muita música envolvida. 

Em Nome do Pai, de Jim Sheridan

Apesar do nome esquisito, para quem não sabe a história vai achar que é um filme sobre cristianismo, mas não é. Este filme fala sobre o conflito entre Reino Unido com Irlanda por conta do IRA. Neste contexto, acontece um erro de julgamento de um grupo acusado de fazer terrorismo na Inglaterra. Filme que mexeu muito comigo e apesar de ser um filme extremamente triste é maravilhoso.

O conto de Princesa Kaguya, de Isao Takahata

Animação muito bonita, mas extremamente triste. Eu chorei muito neste filme, então se quiser ver este filme já sabe que é para estar com lenços de papel, porque realmente é um filme bem pesado.



Jack e a Mecânica do Coração, de Mathias Malzieu e  Stéphane Berla

Esta outra animação que parece estar ambientada num filme do George Méliès, conta um história de amor dramática com toques de platonismo. O final é triste, mas achei lindo este filme com musical.

Vida de Adulto, de Scott Coffey

Conta a história de uma menina que terminou o curso de Letras e pretende ser escritora assim como seu autor favorito, mas as coisas não parecem tão fáceis assim. Então, ela na busca pela sua carreira de escritora vive momentos difíceis nesta vida adulta. Um filme que gostei, apesar de ter momentos bem desestimuladores para quem está terminando a faculdade e quem já acabou a faculdade.

Chef, de Jon Favreau

Ao contrário do filme citado anteriormente, este filme é muito incentivador para tentar novos meios de fazer algo que gosta. Apesar deste filme tem um momento de drama de leve, a maioria do filme é mais comédia.

Cidade das Sombras, de Gil Kenan

Meu namorado ama este filme e no ano passado eu assisti com ele e adorei. O filme fala de uma cidade subterrânea que tem um mito que um dia, eles voltariam a superfície, mas como se passaram muito tempo, eles não acreditam mais que seja possível voltarem a superfície. Este livro é baseado em uma série e livros, que após ver o filme fiquei com muita vontade de ler.
Minhas Tardes Com Margueritte, de Jean Becker

Este filme muito amável desenvolve a história de  Germain Chazes  (interpretado por Gérard Depardieu) que é um homem simples de uma cidadezinha francesa que conhece uma senhora que todos os dias senta na praça para ler e alimentar as pombas. Ele assim como a senhora tem o costume de sentar na praça e dar comida as pombas e assim fazem amizade. Ele que não sabia ler, passa a se interessar pela leitura, pois amizade e as horas sentados a praça os estimula a superar a suas dificuldades de aprendizagem. Este filme é muito amor!

Frances Ha, de Noah Baumbach

Filme sobre uma bailarina que problema em sua vida por confiar demais nas pessoas e por desejar se sustentar com a própria arte. Frances (interpretada por Greta Gerwig), esta bailarina, é uma moça que tem problemas de aceitação de si e tenta muito agradar as pessoas. Entretanto, por vários problemas decorridos por ser agradável demais bem aos poucos busca por sua independência tanto das pessoas em sua volta quanto da família. Apesar de ser um drama um tanto depressivo, eu amo como a personagem dá volta por cima.



Melhores Séries vistas em 2015





Grace and Frankie (1° temporada)

Através de um vídeo da Jout Jout (não lembro qual vídeo, desculpe), eu fiquei curiosa para assistir esta série e comecei a ver o primeiro episódio e não parei mais.

Terra Nova (1° temporada)

Infelizmente esta série foi cancelada, mas ela me lembra o livro Utopia (um dos livros favoritos da vida). Então adorei ver esta série do começo ao fim.

Orange is the new black (1-2 temporadas)

Eu assisti até a terceira temporada, mas gostei mais da primeira e segunda temporadas pela critica ao sistema penitenciário e os motivos pelo qual estas presidiarias foram presas.

Vikings (2-3° temporada)

Amo esta série e não sei o que comentar além de que se você gosta de filmes e séries de aventura e que pretendem ter um interesse de uma ficção histórica, talvez você goste da série.

Gotham (1° temporada)

Ainda não assisti a segunda temporada, mas como amante do universo DC e fã da Mulher-Gato fiquei muito empolgada com esta série.



Fiz até um post sobre esta série por ter tanto gostado desta série. Em dois dias tinha visto ela por completo e quando terminei fiquei com saudade. Este ano sai a segunda temporada é a série que mais espero ver em 2016! *_*





Bem este foram os melhores do ano de 2015. Espero que venha mais leituras, filmes e séries maravilhosas para 2016 para mim e para você!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Comer Animais, de Jonathan Safran Foer

        

       Este livro fez uma interessante análise sobre os ambientes onde criam animais para abate e sobre a indústria de carnes e derivados. Esta leitura foi impulsionada pelo meu interesse no assunto, pois sou vegetariana e a muito tempo fui questionada desta escolha por todos a minha volta. Eu fui uma criança que não gostava de carne, comia por obrigação, e na quarta série tive uma aula prática de anatomia onde foi aberta uma galinha. Eu vi o sofrimento desta galinha que estava sedada com os olhos extremamente comprimidos e com a parte frontal dela aberta com os órgãos funcionando. Ainda para piorar tal experiência que fez eu nunca mais comer carne de frango (mesmo que sendo obrigada a comer carne), alguns alunos se achando melhores que a galinha arrancaram os órgãos com a mão e espremeram rindo da situação. Nesta resenha não venho te "converter" ao vegetarianismo ou veganismo. Só quero que você pense sobre o assunto mais um pouco.
        Jonathan Safran Foer fala que ao pesquisar livros que falassem mais do cuidado da alimentação percebia que a grande maioria era de livros vegetarianismo. O cuidado na alimentação é algo básico para saber se está realmente recebendo todos recursos (vitaminas, proteína, cálcio, ferro e etc) necessários para sua saúde. Entretanto, algo mais grave acontece, que é a generalização dos tipos de carnes comidos pelo ser humano, do qual não se importa com o que esta comendo, se houve um cuidado com este ser e se este vivia em um ambiente de qualidade (que ele não esteja doente ou sofrendo mal-tratos, como: sendo eletrocutados, e apagar o cigarro no corpo do animal). No livro traz alternativas para que este os animais sejam cuidados devidamente para o abate, alguns até se preocupando num menor sofrimento, que são fazendas menores e que os animais comem grama e ficam livres no pasto. Esta questão de cuidado de animais não é uma simples questão de se preocupar com que você está comendo, mas também questionar se o que está comendo realmente é algo bom. Questione o preço que paga pela carne, pois talvez os mal tratos e o animal doente esta sendo o seu alimento, pois é mais barato para indústria não desperdiçar, do que impedir a possível transmissão de doenças a quem come. Um grupo que se preocupa bastante com isto é a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) é um órgão não-governamental que luta pelos direitos animais e melhores condições deles, dá para ver como este órgão é odiado pelas grandes empresas. 
        O autor conta a história de sua vó que era judia sobrevivente do Holocausto e quando ela estava fugindo e faminta e encontrou um fazendeiro que ofereceu comida para ela, mas ela recusou, pois era algo com carne de porco (judeus não comem carne de porco). Isto me fez pensar muito nos argumentos que escuto, como em um tempo de guerra se come de tudo, mas até que ponto a carne realmente é necessária nestes momentos? Além disto, vem a questão, por que certos animais são comidos e outros não? Acima mostrei a recusa por um questão religiosa (kosher), mas os que não são, por que não comem cachorro, tartaruga, gato, barata, formiga, grilo, como comem incessantemente a carne de vaca, peixe, frango e porco? Jonathan Safran Foer responde esta pergunta com a questão de naturalização, da qual alguns animais, como o cachorro e o gato são tidos como animais amigos do homem, diferente do peixe que não interage mesmo que seja de estimação. Assim percebe que a resposta para esta questão é se o homem tiver um distanciamento e não ter o vínculo afetivo com animal, torna possível o homem se alimentar do animal. Resumindo, Foer cita uma frase de George Orwell, do livro Revolução dos Bichos, que diz "Todos animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros"
       A naturalização de se alimentar de carne não é mais uma questão de sobrevivência, pois agora com a globalização e a existência de supermercados e geladeiras você pode escolher que alimento deseja consumir quando vai ao mercado, a feira e todos os lugares onde você passa para comprar alimentarmos.  Nem a alimentação cheia de carne significa estar saudável. 
     Pensando sobre a naturalização do consumo, eu me deparei com um parte do texto de E. P. Thompson, historiador inglês, que falou sobre o final do século XVIII para o século XIX, quando o Reino Unido estava em guerra com as Treze colônias que se caracterizou com a Independência do Estados Unidos. Nesta época existia poucos recursos para se alimentarem, pois o Reino Unido dependia da produção das Treze colônias. Então, no Reino Unido, o consumo de batata estava permitindo a sobrevivência dos trabalhadores com os mais baixos salários; o pão branco era simbolo de status, mas com a alta da farinha o consumo deste se tornou mais difícil para os trabalhadores, os que ainda compravam ficavam à beira da indigência. Estes se viram obrigados a substituir sua dieta por batata, que significava uma degradação. No caso do consumo de "carne, como o trigo, envolvia uma questão de status que suplementava seu simples valor alimentar. O roast beff na velha Inglaterra era o orgulho dos artesãos e a aspiração do trabalhador. (...) A carne certamente serve como um sensível indicador dos padrões materiais, pois seu consumo seria um dos primeiros a crescer quando houvesse qualquer aumento real dos salários." (p. 181, de A formação da Classe Operária Inglesa, vol. II) Todavia, o consumo de carne era dado mais importância do que saber se ela estava em boas condições, então havia baixa de preços para carnes que estava estragando, estas carnes era compradas e consumidas com a ideia dar status.
         Desta forma, finalizo deixando pressa para reflexão. Deixo a pergunta para você, qual é seu critério de escolha de seus alimentos? Você verifica validade e ingredientes da composição dos alimentos que come? 
              Deixo deste vídeo do canal "Do campo à mesa" falando sobre o processo da indústria do leite:


        E outro vídeo que sugiro você veja é sobre rótulos:


     Neste final de ano, quero que repense se o que vem comendo está te fazendo bem. Não basta acreditar que a carne é necessário para vida. Além da carne existe uma infinidade de alimentos (frutas, verduras, legumes, sementes, frutos e raízes), porque apenas a carne te tornaria saudável? Verifique o que irá comer ou comeu, para ter uma vida mais saudável. Tente rever sua alimentação e veja se o que come está te fazendo bem. Como disse a valorização do consumo de carne era algo de status, pois a carne era cara, mas o que depende se você irá manter o consumo de carne sem conscientização. Seja consciente! Questione e busque informação sobre o que come e se ela te faz bem!

Feliz 2016!             

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"A arte de pedir", de Amanda Palmer

  

 A minha curiosidade por este livro veio pelo título e pelo interesse em adentrar mais profundamente na obra de Amanda Palmer. Eu conheci a banda The Dresden Dolls e Amanda Palmer na minha adolescência por conta do meu interesse por bandas do Dark Cabaret e bandas que trabalham com o experimentalismo musical. Bem, não vou me aprofundar sobre meu interesse musical aqui, pois tenho múltiplos interesses musicais, mas o importante em realçar é que por gostar de muitas bandas de gêneros diferentes eu nunca fui boa em ter saber suas produções e mesmo já existia internet não é nem do contato e proximidade das notícias das bandas e produções/shows. Então só ao ler o livro soube várias coisas que não acompanhei na carreira de Amanda Palmer, mas este livro não se resume a isto.
    O livro de Amanda parte de um questão particular dela de como ela lida com sua carreira, seus fãs, e dificuldades para problematizar questões que indagamos toda vez que questionamos quando chegará o próximo feriado ou as férias para enfim fazermos as coisas que queríamos fazer, pois o trabalho nos toma nosso tempo e disposição. Ela preferiu um caminho que para muitos é tido como perigoso que é viver de arte por escolha. Talvez alguém que não conhecesse ela antes ache que esta ideia de viver de arte é fácil, sendo ela um cantora pensando nos contratos de gravadoras e a ideia de estrelas da música. Entretanto, o estilo e formato de como ela lida com sua arte é diferente, ela vem das bandas independentes e percebemos com o livro que o contato com o fãs se torna não uma relação de ídolo com o fã, e sim relação de amizade com quem gosta de sua arte. 
     Voltando para a questão de viver de arte quero pontuar uma coisa amplamente discutidas entre o século XIX e XX sobre o lugar da arte. Isto se deve pela percepção do romantismo de gênio do qual o artista (o gênio) conseguia produzir algo tão elevado que desconectava a arte das demais coisas terrenas. Isto gerou um problema gigantesco que até hoje sofremos com suas consequências. A discussão que a arte ser algo elevado promoveu um movimento que defendia a "arte pela arte". Em contraponta desta teve um movimento feito, principalmente, por grupos de esquerda que dizia que o grupo que defendia a "arte pela arte" não queria ver e problematizar as questões sociais e assim camuflavam com uma arte transcendente. Se pegarmos toda esta discussão e aproximá-la do que Amanda Palmer faz como cantora e fez como escritora, eu diria que ela conseguiu fazer ambos tipos de arte em um. (Caso você descorde de mim, te desafio a definir e desenvolver sua linha de pensamento com argumentos plausíveis.) Como assim? Ambas? Sim, esta disputa sobre o lugar da arte  estava no século XIX e início do XX, e Amanda conseguiu provar que a rede de conexão que tem com seus fãs é tamanha que criou um grupo próximo a ela que se importa e a arte de pedir de Amandar gerou doadores e pessoas que pedem. O pedir para Amanda é:

 "Pedir é um ato de intimidade e confiança. Mendigar é uma função de medo, desespero ou fraqueza, Quem mendiga exige nossa ajuda; quem pede tem fé na nossa capacidade de amar e no nosso desejo de compartilhar."  (p.58)

    Ela desenvolve isto dizendo que não é algo para se envergonhar ou se sentir inferiorizado por isto, pois se pensarmos que vivemos um mundo onde o dinheiro seria a valoração para um sistema de trocas, e assim como outros trabalhos remunerados, ela doa sua carinho e arte em troca de apoio por vezes financeiros e outras vezes por colaboração para se manter produzindo arte. Assim, o pedir que Amanda Palmer produz não é simplesmente receber, a questão que está em jogo é a interconexões e contato que é gerado com a arte. O que, na verdade, ela fez foi incorporar-se dentro desta sociedade como artista e tendo sua flexibilidade de produção, mas ela também disse que passou pelo "síndrome de impostor" que esta sociedade tanto cobra as pessoas a terem trabalhos fixos que elas quando conseguem viver fazendo o que gosta e gastando o tempo que deseja para fazê-lo acredita que uma "patrulha da fraude" vai bater na sua porta querendo tirar satisfação e te chamar de impostor.
     Antes de ser cantora, ela foi estatua viva e chegou a receber dinheiro de pessoas sem-teto que se emocionavam quando ela os notavam e entregavam a eles as flores. Ela diz que percebeu que existe um poder da conexão humana, mas acredito que esta percepção do outro que a arte proporciona foi retirada e desnaturalizada. A desnaturalização da arte na sociedade desumanizou as relações e valorizou um tempo é dinheiro da máquina. Tolstoi, no livro "O Que Devemos Fazer" discute desta desnaturalização gerada pelo acumulo de dinheiro, no final do século XIX, ele diz havia pouca diferença entre o trabalhador das fábricas e os desempregados, pois o salário do trabalhadores eram tão baixo que mesmo trabalhando o dia todo não conseguia suprir todas as necessidades alimentares. Deste fato, Tolstoi parte para discussão de dar esmola, caridade e a pobreza: ele percebe que dar esmola não funciona, o ato de caridade pode suprir as necessidades momentâneas daqueles que recebem mais nunca será o bastante e então ele percebe que existia uma desnaturalização para que exista pobreza. A desnaturalização para que exista pobreza era do sistema controlado por uma valoração (dinheiro) que intermedeia a compra de comida, sendo que se o trabalhador vivesse no campo e não na cidade poderia produzir e viver muito melhor do que viveu na cidade. Neste sistema de desnaturalização, ele também discute por uma arte elitizada deveria se unir com a vida da popular e ensiná-los a ler e tornar histórias populares textos para ser escritos em livros. Sei que estamos no século XXI e que a analfabetismo melhorou muito do que já houve, mas o que quero conectar as ideias de Tolstoi com Amanda Palmer, podemos ver que eles entenderam que as pessoas precisam se unir por um vinculo de empatia e troca. Todavia, Tolstoi percebeu dai um caminho para um sociedade anarquista e Amanda encontrou uma possibilidade de criar uma comunidade se usufrua da ajuda mútua para que se mantenha a propagação da arte. 
      Na perspectiva de Amanda Palmer,  "ver um ao outro é difícil. Mas acho que, quando um vê o outro de verdade, temos de nos ajudar. Creio que os seres humanos são essencialmente generosos, mas que nosso instinto de generosidade às vezes enguiça." (p. 283) 
       Eu diria que realmente difícil as pessoas confiar nas pessoas, e ainda mais manter esta conexão demanda muito esforço,  pois ela diz que "temos que acreditar sinceramente na validade do que pedirmos - o que pode dar muito trabalho e requer a habilidade de andar numa corda bamba estendida sobre o abismo da arrogância e da soberba. E, mesmo depois encontrado esse equilíbrio, o jeito de pedir e de receber a resposta - admitindo e até acolhendo o não - é tão importante quanto o sentimento de validação." (p.25)
       
Só desejo que ela consiga conectar outras pessoas e mantenha suas conexões de troca entra as pessoas com a arte!

Desejo boa leitura a quem não leu este livro! (Confesso que chorei e ri muito lendo este livro, sugiro tenha lenço de papel ao lado) 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Sobre o sumiço e o final de ano

   Depois de um semestre atribulado e caótico, eu voltei para o blog. Sim...ainda há uma volta mesmo quando este semestre está acabando (estamos em Dezembro e logo ai Janeiro). Enfim, nesta volta revisitei a tal metas de leitura para 2015...e não fiz nem metade ainda do que pretendia nele. Isto se deve pelo simples motivo que eu não funciono com uma lista de livros para o todo ano, pois tem dias e por vezes meses que não quero ler nada do que pensava em ler no início do ano. Percebi isto em tentar realizar leitura temáticas em cada mês e agora aprendi de vez que também metas para 2015 não funciona comigo. Então saída para o futuro de planejamentos são no final do mês e início irei eleger um até quatro livros para ler...se perceber que isto não funciona volto aqui relatar tal aspecto que venho conhecendo sobre minha mutabilidade extrema ao escolher e ler livros.
    Então para este mês, pretendo agir em forma de salvação do que era meu plano de leitura neste ano. Tentarei ler alguns dos livros estava na meta, como: "Comer Animais", Jonathan Safran Foer, "A moral da ambiguidade", de Simone de Beauvoir, "Hibisco Roxo", de Chimamanda Ngozi Adichie, e "A senhora da Magia", de Marion Zimmer Bradley. Além deste livros poderei ler outros que vou ser selecionados de acordo com minha vontade no momento. 
     Neste tempo que estive sumida, eu li alguns livros e futuramente pretendo falar deles.
    Outras ideias me vieram em mente sobre o formato que faço minhas resenhas e assim que algo for decidido retorno a conversar sobre.



Desejo a todos ótimas leituras!
Beijos